20.2.17

"visita de estudo - dois em um" - Bairro Alto do Moinho


 
Sábado, 18 de fev. 2017
 
Cheguei às 11h45, a chuva ameaçou, mas desistiu. O sol convidava a uma caminhada. Estacionei o carro na cota baixa do bairro, junto ao parque verde e pus-me ao caminho.
 
Olho para cima e vejo o moinho de vento (hoje uma ruína), aquele que está na génese do desenho urbano do bairro - traçado radial. 
 
 
 
 
 
 
O bairro residencial encontra-se implantado na encosta nascente de uma colina, junto à Estrada do Zambujal. Apesar do traçado radial, as edificações encontram-se, aparentemente, implantadas de forma orgânica - adaptam-se ao declive do terreno.
 
O Bairro resulta do Plano Integrado do Zambujal (1973), tratando-se de construção económica de cariz social, levada a cabo pelo Estado - Operação SAAL.Os projectos ficaram a cargo dos arquitectos Ana Salta; António Ferreira Gomes; Francisco Silva Dias.
 
Ao todo, são 240 fogos distribuídos por moradias em banda, existindo ainda cafés e outros espaços comerciais. As casas têm no máximo dois pisos. Não existem garagens, e o espaço público também não contempla zonas de estacionamento. Resultado - os passeios são ocupados pelos carros, obrigando-nos a caminhar no meio da rua - A pacatez de um sábado de manhã permite-nos a tal. Quando para desenhar, perguntam-me - "Veio ver esta vergonha? Os carros estão em todo o lado, qualquer dia não conseguimos sair de casa"
 
 
 
As escadas ligam as ruas, vencendo o declive, levando-me cada vez mais próximo do moinho. Mas as escadas não são apenas zonas de passagem, são sobretudo zonas de estadia: pátios, logradouros, bancos, jardins, estendais e hortas. Tudo aquilo que fomenta os laços de vizinhança. Algumas são a verdadeira extensão da casa. São o local ideal para uma boa conversa ao sol, ou para um bom churrasco. No patamar de cima ouve-se o estalido do brasido do Sr. António - costeletas grelhadas para o almoço. "É servido ?", pergunta-me ele com um ar divertido enquanto observa-me a desenhar. "Quando eu era novo fazia uns gatafunhos melhores que esses, mas não está mal, não senhor". "Isso  é para vender? Aqui não se safa, pois está tudo t....."
 
No topo, o moinho, que hoje rivaliza as atenções com a catedral do consumo - aquela empresa sueca que vende mobiliário. O ruído visual é tanto, que a pitoresca ruína passa mesmo despercebida na paisagem. O Moinho e o bairro, sendo mesmo muito difícil distingui-los no meio de tanta exuberância formal e cromática (chamemos-lhe assim para não ferir susceptibilidades)
 
Uma experiência a repetir

19.2.17

Viajando e preparando aulas.

No final do ano passado, eu e minha companheira Eunádia decidimos que iríamos fazer a segunda incursão por cidades históricas do Nordeste brasileiro. Já tínhamos feito a experiência em um roteiro que incluiu as cidades de João Pessoa (PB), Goinana, Igarassu, Olinda e Recife (PE).

Em janeiro de 2017 partimos para ampliar geograficamente este percurso, por terras alagoanas e sergipanas. No roteiro as cidades de Marechal Deodoro e Penedo (AL) e São Cristóvão e Laranjeiras (SE), com passagem também por Aracaju, capital sergipana.

A experiência foi muito gratificante, Da lista das cidades, só conhecia Aracaju. As demais sempreforam referências em minhas aulas sobre as cidades coloniais brasileiras, porém me valia até então de registros fotográficos e mapas para explanar a riqueza espacial desses lugares.

De quebra, ainda tivemos o privilégio de conhecer um bleo espetáculo da natureza: a foz do Rio São Francisco, que se localiza no município de Piaçabuçu, nas Alagoas.

Os registros realizados durante essa "expedição" ampliam o leque do material a ser trabalhado em minhas aulas.

No final do percurso, ao sabermos do grave estado de saúde pelo qual passava o nosso querido amigo, Marcelo Tinôco, resolvemos cancelar a nossa ida a Laranjeiras. Esses registros são uma homenagem a esse grande ser. Excelente professor e amigo/companheiro de mão cheia.

















14.2.17

ENCONTRO 102 DO URBAN SKETCHERS SÃO PAULO - TEATRO MUNICIPAL

Do encontro ocorrido na manhã quente e ensolarada do dia 11 de fevereiro de 2017 .. Procuramos por uma sombra ali na Praça Ramos, de onde poderia se avistar a vegetação e a lateral do teatro .. o que consegui desenhar e pintar ..

VIAJAR


Sempre é bom viajar. É ótimo viajar e poder desenhar, não que não podemos desenhar em nossas cidades natais. Todas elas, certamente têm pontos interessantes, para podermos sentar em uma tarde modorrenta e fazer um belo desenho, mas as tarefas do dia a dia, acabam, muitas das vezes, impedindo de, durante a semana, de realizar um único desenho. Mas em viagem nos programamos para isto. Separamos os cadernos e estudamos a cidade que iremos, para podermos desenhar os lugares mais legais.

Mas a nossa obsessão, começa no caminho, como mostram muitas das minhas postagens e do Francisco Leocádio, de passageiros no ônibus e o desenho do aeroporto e do avião é um clichê, mas é absolutamente irresistível.
Interior do avião, indo para Maceió. A mancha vermelha era uma moça que foi "escondida"  durante as três horas de vôo

Chegando à Maceió, alugamos um carro, uma Grand Meriva de 07 lugares, para irmos até Penedo. Minha filha enjoou na última fileira e como ela estava na cadeirinha, acabamos trocando de lugar e pude ficar apreciando o mar e um céu sem tamanho entrar por um lado do carro, parar nos nossos olhos e sair, pelo outro lado, transbordando em uma plantação sem fim, de cana de açúcar.
Interior da Gran Meriva.

Em Penedo ficamos hospedados em Manibu, um povoado afastado do centro de Penedo, uns quinze quilômetros. O ônibus chegava ao povoado às 6h00 e voltava ao meio dia e neste dia, havia queimada da palha, somando ao céu, uma palheta avermelhada por todo o horizonte.
Interior do ônibus Manibu - Penedo

Na volta para Maceió, tentei registrar o nervosismo da minha sogra, toda vez que o carro entrava em uma curva, um pouco mais acentuada. Aproveitei a última folha do moleskine e como o meu amigo Raro de Oliveira, até a contracapa precisar ser devidamente ocupada.
Minha sogra e "eu" pelo retrovisor.

Viajar é realmente muito bom. Para podermos ir, voltar e algumas vezes, para nos perdermos pelo caminho.

7.2.17

47º Urban Sketchers Rio - Comemoração do Ano Novo Chinês

47º Urban Sketchers Rio - Comemoração do Ano Novo Chinês

Lapa - 29/01/2017


Não teve decoração, não teve comida, não teve dança nem o tradicional dragão! Nem o Galo de Fogo apareceu na comemoração do Ano Novo na Lapa! Mas nem isso, nem o Sol flamejante nos desanimaram frente a beleza dos Arcos da Lapa. Refugiados em pequenos espaços de sombra, provenientes do palco e de tendas, e embalados pelos últimos sucessos Pop chineses (que tocavam em loop infinito), desenhamos a Lapa, seus arcos e seus casarios. Ao fundo Santa Teresa e os prédios icônicos do centro da cidade. Visto que a festa de Ano Novo atrasaria ainda mais do que 4 horas, andamos até a Escadaria Seláron, surpreendentemente abarrotada de turistas. Impossível de desenhar com tantas pessoas, o grupo carimbou os desenhos e se despediu, alguns indo almoçar e outros animados para visitar Atêliers de Arte.

Que o Ano do Galo traga muita alegria, prosperidade e serenidade para todos! #uskrio @uskrio