20.12.15

CIDADE E PERCEPÇÃO: Cenários e formas convertidos em desenhos (Joinville/SC)


   Trago para esta postagem os resultados de uma pesquisa desenvolvida com acadêmicos do Curso de Arquitetura e Urbanismo  do Centro Universitário - Católica de Santa Catarina de Joinville, que estimulou habilidades sob os aspectos da percepção dos espaços públicos e cenários que a cidade oferece, bem como o uso de técnicas de representação gráfica à mão livre com aplicação de cores. A partir dessas atividades, ao longo de 12 meses foi elaborado um acervo gráfico contendo a representação artística dos cenários joinvilenses mais significativos, escolhidos sob a ótica e diagnóstico dos estudantes e construídos com técnicas baseadas estritamente no uso de materiais e instrumentos para representação manual.

   Este trabalho foi apresentado em 30 de outubro de 2015, no 3º Congresso de Iniciação Científica promovido pela instituição. A equipe que orientei foi composta por acadêmicos do 2º ano do Curso: a bolsista Ana Elisa de Braga e 4 voluntários, Felipe Nass, Katiúcia Alano, Lucas Nora e Luciane Kouketsu. O enfoque da pesquisa foi direcionado para as principais construções e localidades da cidade de Joinville/SC, tendo sido identificadas basicamente sob as teorias clássicas dos Elementos Estruturadores do Espaço desenvolvidas por Kevin Lynch (1960). Como avanços observados, pode-se destacar a evolução da percepção dos estudantes sobre o ambiente em que vivem, no olhar que lançam sobre a cidade, bem como a ampliação da prática e o aprimoramento de técnicas de representação gráfica manual. 

3º Congresso de Iniciação Científica - CatólicaSC de Joinville - 30/Outubro/2015


Equipe de pesquisa: Cláudio, Luciane, Katiúcia, Lucas e Felipe
   


   USk no meio acadêmico

   A importância deste tipo de abordagem com os acadêmicos consiste no fato de que grande parte da geração atual de estudantes circula pouco a pé na cidade onde residem, fazendo a maior parte dos seus percursos com auxílio de veículos motorizados por diversos motivos, como falta de segurança, distância a ser percorrida, tempo de deslocamento ou outros. Nota-se também que os espaços para uso dos pedestres são cada vez mais reduzidos nos grandes centros urbanos. Como consequência desses fenômenos, surge um grande desconhecimento sobre diversas características do meio onde vivem. Especificamente para o dia-a-dia dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo, isto faz com que se tornem restritas as oportunidades de observação da cidade, sua configuração espacial, a ponto de se tornar difícil a leitura dos espaços ou territórios onde futuramente irão intervir com seus projetos. Portanto, este constante exercício de percepção é de grande relevância no processo de formação dos acadêmicos.


Estudantes Ana Elisa e Felipe desenhando "in loco" a ponte do Rio Cachoeira e o Museu do Sambaqui
   
   Ainda, com o advento dos avanços tecnológicos e uso de ferramentas computacionais para a elaboração de desenhos de projetos arquitetônicos, existe uma tendência crescente dos estudantes abandonarem a prática espontânea da representação gráfica através de técnicas manuais. Com isso, se tornam cada vez mais limitadas a capacidade de expressão gráfica sem o apoio de programas e computadores, além de se tornarem excessivamente padronizados e impessoais os desenhos gerados unicamente pelas ferramentas digitais. Portanto, a formação de profissionais que pouco conhecem do meio onde vivem e extremamente dependentes da computação para se expressarem, motivou o desenvolvimento das atividades de desenho de observação que foram propostas.
   

Experimentação de técnicas e materiais variados para pintura da Estação Ferroviária


   O profissional arquiteto urbanista habilitado para o desempenho de suas atribuições, que possuir deficiências na representação de suas ideias e restrições na percepção do meio em que projeta, certamente encontrará sérias limitações em diversas áreas de atuação. Preparar o estudante, não só no campo teórico mas também através de práticas de simulação conectadas à realidade das cidades, proporciona uma formação de melhor preparo para lidar com as demandas contemporâneas da profissão. 


Desenho de observação "in loco" do Moinho Santista

   Atividades que tragam possibilidade de experimentação de diferentes técnicas manuais de desenho e pintura, associadas à percepção ambiental baseada em fundamentos teóricos para escolha de cenários e sua representação, podem suprir as carências identificadas atualmente junto aos estudantes. Nesse sentido, esta pesquisa promoveu práticas de desenho e pintura que visam suprir as demandas e as deficiências percebidas em sala de aula, no que diz respeito à percepção dos espaços urbanos e domínio de técnicas de representação gráfica manual pelos estudantes. Agora, a intenção é ampliar o número de praticantes no Curso, visto que a evolução e os benefícios decorrentes dessas atividades à formação dos acadêmicos foram comprovados através deste pequeno grupo. Abaixo, seguem as representações elaboradas exclusivamente pelos acadêmicos e os devidos créditos de autoria.
  
   Abraços a todos, um excelente 2016 repleto de felicidade, saúde e muitos desenhos (claro!) e até a próxima!!! 

   p.s.: comentários, críticas e sugestões serão sempre bem vindas.


Catedral São Francisco Xavier, por Luciane Kouketsu

Museu do Imigrante, por Katiúcia Alano

Joinville Iate Clube, por Lucas Nora

Harmonia Lyra, por Felipe Nass

Quartel do Exército 62º BI, por Lucas Nora

Edifício Multisom, por Luciane Kouketsu
Estação Ferroviária, por Ana Elisa Braga
Cidadela Antarctica, por Luciane Kouketsu
Museu do Sambaqui, por Felipe Nass

Rua das Palmeiras, por Lucas Nora

Edifício Minancora, por Katiúcia Alano

Moinho Rua XV, por Felipe Nass





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