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16.10.18

Alguns desenhos de observação feitos em Brasília

No final de semana do dia 12/10/18 eu e minha esposa estivemos em Brasília. Os motivos da viagem foram assistir ao show do Roger Waters e rever grandes amigos. Não tinha nenhuma pretensão de fazer desenhos nesta viagem uma vez que estávamos com um grupo de amigos e não queria atrapalhar o passeio de ninguém. Mesmo assim levei meu iPad para todos os lugares que visitamos caso houvesse a oportunidade de fazer algum sketch.

Acabei conseguindo fazer os três desenhos que apresento aqui. Levei aproximadamente 40 minutos para cada um deles com direito a alguns retoques posteriores quando já havia me juntado ao grupo novamente. Usei a mesma técnica para todos. Inicialmente fiz os croquis em tons de cinza e apliquei cores preservando as sombras já desenhadas antes. Como estava desenhando em meio digital pude separar estes dois momentos em camadas diferentes. Usei um iPad Pro de 10,5", a Apple Pencil e o aplicativo Procreate. Gostei dos resultados. Acho que o curto tempo e acabou contribuindo para a espontaneidade dos desenhos. 

14.9.18

Desenhos do 3º Encontro USK Brasil em Salvador

Imagem 1 - Desenho do Farol da Barra
Do dia 6 ao dia 9 de setembro deste ano aconteceu, em Salvador - BA, o 3º Encontro Urban Sketchers Brasil organizado pela fantástica equipe do USK Salvador. Nesta edição resolvi testar de vez as técnicas que venho desenvolvendo com o iPad, a Apple Pencil e o aplicativo Procreate. Como já esperado, e comentado em postagem do meu blog, o baixo contraste de iluminação da tela em ambientes externos foi o maior desafio, mas no final correu tudo bem. A bateria, que teve que atender a dois turnos de desenho, também se comportou muito bem com a ajuda de um carregador portátil.

Começamos a produção na manhã do dia 6/9 antes do início oficial do evento quando fiz o desenho do Farol da Barra (Imagem 1). O credenciamento e a abertura aconteceram pela tarde e na noite deste mesmo dia, durante a confraternização, fiz uma cena noturna no Largo do Santana mostrada na Imagem 2. Foi a primeira vez que tentei fazer um desenho neste contexto. Gostei do resultado.

Imagem 2 - Desenho de cena noturna no Largo de Santana
Imagem 3 - Desenhos do Terreiro de Jesus e Pelourinho
No segundo dia tentei aproveitar as potencialidades do iPad e arrisquei fazer desenhos bem complexos. A chuva que caiu pela manha deixou as coisas ainda mais complicadas uma vez que não poderia arriscar o equipamento, mas no final tudo deu certo. Confesso que depois me arrependi de ter escolhido cenas tão amplas, mas gostei do resultado do desenho do Pelourinho (Imagem 3). Não gostei muito do desenho do Terreiro de Jesus (Imagem 3). Há muita informação na cena e não acho que consegui gerenciar bem essa grande quantidade de elementos.

Imagem 4 - Desenhos do Elevador Lacerda e da capela do Solar do Unhão
A produção do terceiro dia foi uma das minhas preferidas. Na manhã do sábado nossa amiga Alejandra Munoz, arquiteta, professora da UFBA e uma das organizadoras do evento, nos levou para conhecer a belíssima Ribeira. Acabamos chegando mais tarde ao Elevador Lacerda, mas consegui fazer um rápido sketch (Imagem 4) com meus grafites digitais. Pela tarde tive tempo e sombra suficientes para fazer o desenho da capela do Solar do Unhão e conhecer o projeto de Lina Bo Bardi. Foi mais um belo dia na capital baiana.

Imagem 5 - Vista geral de Salvador a partir do Forte de São Marcelo

No último dia de encontro tivemos o privilégio de visitar o Forte de São Marcelo e nos deparar com esta maravilhosa vista de Salvador mostrada na Imagem 5. A foto resume bem minha vontade de fazer este desenho. O guarda chuva (sombrinha) foi essencial para que eu me protegesse do sol e para que fosse possível desenhar em uma tela LCD em plena luz do dia. Não tive tempo de colorir o desenho no local, mas gostei do resultado pois me lembrou o trabalho de um sketcher que gosto muito. Seu Instagram, para quem se interessar, é o @agungdwiyant.

Paralelamente ao encontro tivemos o privilégio de ter nossos desenhos expostos na Galeria Cañizares da Escola de Belas Artes da UFBA, no ICBA e no foyer do Teatro Castro Alves. Particularmente, como mostrado na foto abaixo, fiquei super feliz e orgulhoso em ter meus desenhos digitais e seus vídeos expostos em destaque na Galeria Cañizares . Uma honra e alegria indescritíveis. Aqui agradeço e parabenizo, em particular, nossa querida amiga Alejandra Munoz pela curadoria e impressionante empenho na realização das exposições.






Foi um encontro sensacional e inesquecível! Valeu demais! Deixo meu forte abraço e admiração a todos os organizadores e a toda essa maravilhosa comunidade de sketchers.

Partiu Ouro Preto!!

2.5.18

27º Encontro USK Fortaleza - Igreja do Carmo


O 27º Encontro Urban Sketchers Fortaleza aconteceu no sábado, 21/4/18, feriado de Tiradentes. Contamos com a presença de 23 sketchers que, através de variadas técnicas e olhares, registraram a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. A igreja está localizada na Praça do Carmo e sua fachada principal olha para a Av. Duque de Caxias um dos principais acessos ao centro histórico de nossa cidade. O início de sua construção ocorreu em 1850, embora sua atual denominação só tenha sido assumida em 1892 e sua inauguração oficial (com a maior parte das características arquitetônicas atuais) só tenha acontecido em 1906. 

Foi mais um dia de muito sol e de intensa produção gráfica. Sobre isso, deixarei aqui algumas colocações para nossa reflexão. Tenho observado já há algum tempo como o nome escolhido para o título dos nossos encontros acaba influenciando a temática dos desenhos. Ficou claro que a atenção dos participantes, inclusive a minha, foi direcionada somente para a igreja embora o perímetro da Praça do Carmo, por exemplo, também tivesse vários temas interessantes. Outro ponto que considero curioso foi a forte atração que a torre da igreja provocou nos desenhistas. Ela está presente em 18 dos 21 desenhos mostrados aqui. Os ângulos e composições escolhidos também sempre me chamam a atenção. Eles acabam sendo determinados por variáveis nem sempre relacionadas com o desenho. Uma delas é, por exemplo, a possibilidade de desenhar sentado e na sombra :). 

É claro que nada disso diminui o valor dos registros. Tenho certeza que todos os sketchers no Brasil e no mundo passam por situações semelhantes, mas fica a dica de olharmos mais atentamente para outras possibilidades além do tema que virou título do encontro :). Apesar do evidente foco na igreja, destaco mais uma vez a variedade de processos e visões que culminaram em belíssimos sketches. Foi, como de costume, mais um grande encontro!

Valeu e até o próximo, dia 26/5/2018 no Centro Administrativo Do Estado Do Ceara - Cambeba.














9.4.18

26º Encontro USK Fortaleza - Edifício Granville



Texto: Fabrício Porto

Fortaleza é plana. É a observação irrecorrível que qualquer visitante vindo de cidades escarpadas faz ao transitar pela capital cearense. Erguida sobre um tabuleiro litorâneo e com elevação média de aproximadamente 20m acima do nível do mar, Fortaleza não é uma cidade em que um desenhista, ao representá-la, sobreponha camadas e camadas de horizontes, como se faria em um desenho do Rio de Janeiro ou de Lisboa. Temos o construído diante de nossos olhos e o céu logo atrás. Sensível exceção temos na Volta da Jurema, espaço histórico do município à beira-mar e palco do 26º encontro do Urban Sketchers Fortaleza, ocorrido em março.

Rabiscaram, os sketchers fortalezenses, numa manhã ensolarada - algo não tão recorrente nos meses iniciais do ano - a paisagem atual da Volta. O frescor da maré vizinha não foi páreo para o abrasador sol da manhã alencarina, transcorrendo tudo sob o vibrante calor habitual. De onde se reuniram os desenhistas, vê-se, talvez, o mais expressivo aclive da cidade. A subida da Volta é daquelas em que o motorista passa a primeira marcha para que o carro vença a gravidade. Pela calçada, atletas e coopistas sobem e descem a curta e íngreme ladeira para potencializar seus exercícios. Há também o antigo morro do Granville, ora convertido em Jardim Japonês, uma quadra pública de transição entre o nível do mar e o platô urbano.

No passado, o morro do Granville foi palco democrático de encontro da juventude local e espaço vistoso do circuito litorâneo, um morrete verde subindo rumo a uma construção de geometria audaz, a lhe coroar no topo. A geometria é o emblemático edifício Granville, projeto do arquiteto carioca - e radicado no Recife - Acácio Gil Borsoi (1924 - 2009), que assina muitas das arquiteturas visualmente reconhecíveis da cidade. Prova disto esteve diante dos desenhistas na ocasião: um majestoso bloco de concreto com entalhes precisos e sacadas dançantes que estão em praticamente todos os desenhos do encontro por dominar a paisagem.

A crítica à implantação de um jardim japonês - projeto encabeçado pela Prefeitura de Fortaleza - no morro do Granville, abandonado com o tempo como ponto de encontro, é inevitável, tanto pelo tema quanto pelo resultado. Jardins japoneses pelo mundo tem amplidão e contexto. Em Fortaleza, é de dimensões bastante reduzidas, demasiado cenográfico e não guarda relação com qualquer corrente migratória ou comunidade nipônica, inexistente na cidade. Um saudoso sketcher na casa dos quarenta restituiu, no desenho, a forma antiga do morro tal como ainda permanece em suas reminiscências juvenis. Os mais jovens foram fiéis ao que está posto, talvez sentindo um estranho aroma de estrangeirismo cênico deslocado no espaço.

O resto da história desta manhã de encontro e troca de experiências artísticas e percepções urbanas e culturais está narrado nos registros fotográficos que seguem. O USk Fortaleza segue firme com sua proposta de ocupar a cidade mensalmente com um grupo crescente e ativo, curioso por descobrir e representar este palco de belezas naturais em conflito com contradições urbanas, pouquinho abaixo do equador e debruçado para o atlântico.
















7.3.18

25º Encontro USK Fortaleza - Praça do Ferreira

Texto: Fabrício Porto e Marcos Bandeira

No último sábado de fevereiro, dia 24, realizamos o nosso 25º Encontro USK Fortaleza. O local escolhido foi a icônica Praça do Ferreira, localizada no centro histórico de nossa capital. Tivemos a participação de 14 sketchers, que tentaram, dentro do possível, registrar edifícios, espaços urbanos e personagens do local. O relógio da hora, marco simbólico do espaço, aparece em vários registros por sua centralidade e protagonismo, sendo um evidente elemento vertical em um tabuleiro de pequenas árvores, bancos de praça, banquinhas de jornal e elementos do tipo. De igual importância, o Cine São Luís, defronte ao relógio da hora e testemunha de uma época de ouro da cidade, também foi parar nos cadernos e folhas dos sketchers, com toda sua pompa, seu mármore, seus lustres e sua atmosfera classuda. Registramos neste dia alguns pergaminhos de nossa história construída.

A prática co-relata ao sketch urbano, a de sentir a cidade e sua atmosfera, deu-se também de forma clara: dentre vários problemas de ordem urbanística e social percebíveis a olho nu, foi inevitável sentir o abandono desta praça no que diz respeito às políticas de segurança pública. Ocorreram situações de constrangimento e ameaça de agressão sem que houvesse nas imediações nenhum policiamento visível para quaisquer providências. Mas o grande vigia da paz é um povo que ocupa seus espaços públicos de forma tolerante, democrática e vigorosa. O que conferiu real sensação de segurança foi, em dado momento, uma batalha de MC´s que ocuparam provisoriamente a praça, com suas aparelhagens de som e sua irreverente estética verbal e paramentária. Na prática, é esta ocupação legítima de manifestações artísticas, comerciais e culturais o que confere segurança de fato, de uma forma mais civilizada que presença - e neste caso, ausência - de policiamento.

No momento da batalha dos Mc´s, alguns sketchers saíram do foyer do Cine São Luís para novamente rabiscar a praça, inclusive os cantores e seu público. Porém, o cair da tarde foi revelando aos poucos outro grave problema social que tem a praça como palco: a moradia na rua. Com o fechamento dos comércios e o paulatino esvaziamento do espaço, moradores de rua foram se achegando àquilo que ainda podem chamar de casa, as marquises das lojas, os bancos da praça e as árvores. Algumas obviedades, que nos passam batidas e que são meros conceitos vagos no discurso político, afloram em atividades como o sketch urbano, que tem como natureza a presença e a observação: primeiro, que deve o estado estimular vigorosamente a ocupação dos espaços públicos com arte, feiras, exposições e toda sorte de manifestações culturais próprias ou interessantes àquela sociedade; e segundo, que deve o poder público se penitenciar de sua omissão nas políticas de assistência social através de um programa que restitua dignidade à populações que tem a rua como lugar único de moradia.

É isso, caros sketchers. Vejam os desenhos e fotos do evento.