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21.2.16

Quando a chuva... parte II

Há algum tempo publiquei a minha primeira participação no blog, e falava de chuva. Mas alguns desenhos foram omitidos daquela história. Na vida dos sketchers a chuva é um contratempo, mas há outros, como os bêbados, que se tornam nossos maiores fãs, as pessoas que expulsam a gente dos lugares, os doidos e aqueles que perguntam: – o que é arte? Mas voltando ao caso da chuva, ela nos dá outra possibilidade, quando o ímpeto de croquisar é muito grande e não tem como sair: desenhar de onde estamos mesmo.

A chuva era torrencial a maior parte do tempo, às vezes amainava, mas não dava trégua. Do sofá tinha algumas vistas que davam desenhos. E foi de lá, no conforto de casa, que fiz alguns desenhos que gosto muito. Gosto porque elas retratam coisas íntimas, um tema que não é muito praticado em nosso “mundinho” de urban sketchers. E também porque são recordações em forma de desenho, não importando muito se os traços e cores ficaram bons ou não.


A relação de avós e netos é uma das maravilhas da natureza humana. Não se explica só se aprecia. Os dois extremos da vida se encontrando, a inocência da infância e toda vivência da velhice, ali, frente a frente, um embate em que os dois lados vencem. Muitos poderiam representar essa cena, há incríveis ilustradores pelo mundo que seriam capazes de revelar esse sentimento com cores e formas. Mas quando a gente o presencia e capta em nossos traços, ahhh.. o sabor é outro.

Pra mim as árvores são sempre bons temas de desenho. Essa aí podia ver pela janela, uma goiabeira ainda jovem, mas que cresceu muito rápido. Eu não plantei, quem plantou foi o passarinho. Improvisei um galho atravessado para as brincadeiras das crianças, e pronto, já começaram a dizer que tinham uma casa da árvore.


Toda cozinha tem seu charme de panelas, mesa, fogão e geladeira. Ali tínhamos essas coisas essenciais para chamarmos cozinha de cozinha, e no comando a tia Tânia, exímia cozinheira de pratos do dia a dia, preparava o almoço. Sentiram o cheiro do feijão?

Assim a chuva foi migrando pra dentro do meu caderno. Foi saindo das nuvens aquela aguada e virou chuva de traços. Recordações de momentos muito preguiçosos e proveitosos no sofá velho e furado da casa da praia.

11.1.16

Quando a chuva desaba – uma missa e um pecado

Acho que todo “Usker” (urban sketcher, croquiseiro urbano ou desenhista de rua) já passou por isso, ter que enfrentar a chuva bem na hora e local que pretendia desenhar. E aí vai meu relato.

Nessas horas de pingos ou aguaceiros surgem as questões: o que desenhar? Onde se abrigar? Como resolver o desenho ou a aquarela? Incorporar ou não esse elemento tão dominante no seu sketch? Bons aquarelistas certamente dominarão os reflexos molhados, as luzes borradas e farão um belo trabalho, mas essa não é minha praia.

Saí cheio de disposição para quebrar a abstinência de alguns dias que não desenhava, mas a chuva caiu sem dó nas minhas expectativas. Abriguei-me em uma quadra coberta e desenhei o que estava à vista - a paisagem molhada que avistava e a garotada que também esperava a chuva passar jogando conversa fora. Admito, estava de mau humor e não consegui ficar de papo com o vendedor de coco que veio olhar o que eu estava fazendo. – Você tá desenhando? – É! Respondi lacônico.

Vista da chuva - Vila da Glória - São Francisco do Sul/SC






Meninos jogando conversa fora - Vila da Glória - São Francisco do Sul/SC


A A chuva amainou, mas persistia. Escutei cantos vindos da igreja, corri pra lá sem mostrar o desenho para o vendedor, que deve estar me achando o turista mais insuportável que passou por lá nessa temporada.

Comecei o desenho da igreja com a mão mais aquecida. Os primeiros traços já se mostraram promissores. Para não atrapalhar os verdadeiros fiéis me enfiei num canto no fundo da pequena capela. Mas a missa foi enchendo, enchendo, enchendo e pronto, estava preso, não havia jeito de sair. Então, como havia tempo, fiz um desenho mais elaborado. Lá dentro Ave Maria, lá fora, uma chuva dos infernos.

Uma das carolas mais entusiasmadas disse que queria ver o desenho depois. Agora que não podia mesmo ir embora antes do último amém. Deu tempo até pra outro desenho. Ao final da missa a chuva tinha amainado, fiz o social com o pessoal que queria ver a minha pequena bíblia de sketches e fui embora.

O vendedor de coco já tinha partido, acho que não estava vendendo nada naquele dia. Eu, no entanto, estava no lucro, quatro desenhos para uma tarde chuvosa. Meu coração só não foi mais leve pra casa porque faltei com meu irmãozinho de intempérie, o vendedor que não queria me vender nada, só puxar assunto ou matar a curiosidade. Ainda volto lá pra me redimir desse pecado.

Primeira missa de 2016 - Capela Nossa Senhora da Glória de 1885 - Vila da Glória - São Francisco do Sul/SC
Primeira missa de 2016 - Capela Nossa
Senhora da Glória de 1885 - Vila da Glória -
São Francisco do Sul/SC


2.12.14

Em Copacabana, Rio de Janeiro

4º Encontro Urban Sketchers Rio, Forte de Copacabana, 30/11/2014 



O dia amanheceu muito nublado e com uma grande fila de entrada para entrar no Forte, principalmente de turistas interessados em tomar um delicioso café da manhã na Confeitaria Colombo e Café 18 do Forte com uma das mais belas vistas do Rio de Janeiro.
 
Após um breve passeio pelo Forte decidimos desenhar em um ponto coberto, o que foi ótima decisão, pois uma leve chuva com bastante vento nos pegou enquanto desenhávamos. Nada que espantasse os frequentadores do Café, que junto com os guarda-sóis vermelhos e as grandes árvores, coloriram a cinza vista de Copacabana ao fundo. 
Não houve foto do grupo pois alguns saíram antes por causa da chuva e do frio que nos pegou de surpresa e outros chegaram bem depois. No total foram 6 Sketchers. 

O grupo do Rio de Janeiro se organizou em Setembro/2014, impulsionado pelo maravilhoso 5º Simpósio Internacional de Urban Sketching / Paraty. Inicialmente com encontros mensais e agora com encontros quinzenais aos domingos, o grupo está ainda se solidificando, gradualmente formando uma base de apaixonados por desenhar essa Cidade Maravilhosa.

Agradeço a todos, coloco abaixo fotos e alguns desenhos produzidos no encontro.


Autor: Vitor Nunes

Autora: Thais Canavezes

Autor: Marcos Paulo Drummond




Praia de Copacabana, vista do Forte


16.7.12

Sketch em dia de chuva


No dia em que fiz esse sketch estava preparado para sair para desenhar quando caiu uma chuva muito forte.
Aqui no Rio de Janeiro isso é meio que normal. De repente cai uma chuva muito forte que não dura muito, mas cria uma história por trás dela. 
O relevo da cidade é acentuado e toda a chuva que cai nos locais mais altos tende a se acumular nas partes baixas. E esses locais vêm se tornando impermeáveis há muitos anos por conta da urbanização. O solo não absorve a água e causa enormes alagamentos.
Fiquei em casa mesmo e como tenho algum material pra desenho na área de serviço, desenhei o cantinho do meu cachorro (que estava aquecido na sala) e outras coisas...

Usei caneta Hero M86 com tinta indelevel preta em sketchbook Tilibra (210X275 mm)