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4.12.16

Tarde nublada no MAM-RJ.


No último dia 23 de novembro, eu e alguns alunos fomos curtir uma tarde nublada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O resultado foi esse.
Aquarela sobre papel Canson 300g.

24.6.15

Praça do Coreto - Cidade de Goiás




Este foi um desenho de aproximadamente 1 hora, feito durante uma viagem à cidade de Goiás. O dia já estava acabando e a luz mudava rapidamente. Foi preciso trabalhar rápido. Comecei usando grafite para fazer marcações estruturais básicas (linha do horizonte, principais proporções, ângulos e superfícies). Posteriormente, tracei as linhas com bico de pena e tinta nanquim preta (40 min) e finalizei com aquarela (20 min). Minha intenção era representar as sombras alongadas das árvores projetando-se sobre o coreto.

O fato curioso desse pequeno coreto é que o mesmo abriga uma sorveteria, onde podemos desfrutar dos "sabores locais", como coco queimado, figo e cajazinho. Além disso, achar um picolé que custa só 2 reais e já vem sem embalagem também foi uma coisa inusitada.

17.7.12

Mac (Niterói) - "A linha reta o levará somente à morte".


 







Niemeyer, que é o autor do projeto do MAC (Museu de Arte Contemporânea, ilustrado neste post), adora curvas. Certa vez escreveu o arquiteto:
"O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso de seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein".

Gosto de imaginar que Niemeyer já tenha lido na vida a frase de Jack Kerouac que é o título deste post, aliás, uma frase de que gosto muito. Por falar nisso, estou lendo On The Road novamente, me preparando para a estréia do filme de mesmo nome no cinema.

Mas agora, quero contar e registrar uma história (antes que até eu me esqueça) dos tempos imemoriais de faculdade. Certa vez, estava eu no MAC assistindo a uma palestra do grande arquiteto Oscar Niemeyer. Digo grande, pois naquela época eu era apenas um mero estudante cursando os primeiros períodos de arquitetura e Niemeyer era uma figura mítica. Era tão mítico que eu podia guardá-lo na mesma caixa de outras figuras míticas como o unicórnio, o fauno, a sereia,  o saci, etc.
A palestra foi como eram todas as palestras do arquiteto. Ele fez alguns croquis, falou dos projetos, falou que o MAC nasceu como uma flor que se debruça sobre a Guanabara, falou que a arquitetura não era importante e o que realmente importava eram os amigos e as curvas da mulher amada. Homem sábio.
Depois da palestra formou-se um furdunço, uma fila descomunal de estudantes em busca de um croqui assinado pelo mestre. Depois de 100 (literalmente) estudantes chegava - finalmente - a minha vez. Niemeyer estava sentado junto à uma mesa, com uma cadeira vazia ao seu lado.
Sentei na cadeira.
- Oi meu filho, tudo bem?
- Tudo, e com senhor?
- Qual é o seu nome?
- Rafael.
- Qual projeto você gosta?
- Eu queria a catedral (de Brasília)
Niemeyer desenhou a catedral em um papel A4, colocou o meu nome, assinou e me entregou o desenho, eu agradeci. Era a centésima primeira vez que ele fazia aquilo naquela noite - já havia anoitecido e ninguém arredava o pé da fila - faltavam ainda uns 150 estudantes. Já estava me levantando da cadeira quando ele perguntou:
- Tem muita gente na fila aí fora?
- Sim, mais de 100.
Ele deu um sorriso ensimesmado e disse:
É meu filho, eu “tô fudido" mesmo.
Dei um sorriso e fui embora satisfeito com meu croqui assinado pelo Niemeyer. 
Recentemente aconteceu na FAU-UFRJ uma palestra da renomada arquiteta Zaha Hadid e foi engraçado e prazeroso reconhecer nos estudantes - que esperavam por uma dedicatória após a palestra - a mesma cara de bobo que eu ostentava orgulhoso naquele dia da palestra do Niemeyer no MAC.

9.7.12

Picnic no MAM




Esses são desenhos de algumas semanas atrás que esqueci de postar aqui. Fizemos um picnic nos jardins do MAM. Estavam presentes diversos professores e um bom número de alunos entediados pela greve e com vontade de aproveitar mais um dia sensacional de sol na cidade maravilhosa.

Tenho uma ligação afetiva muito forte com os jardins do MAM, por diversas razões. Na minha infância, meus pais constumavam me levar lá para andar de bicicleta, pegar sol, fazer picnic, costume que guardo até hoje. Naquela época (distante) costumava escalar as pedras do jardim e a estrutura de concreto (em "V") do edifício (já me relacionava, em certa medida, com arquitetura de primeira qualidade, mesmo que de forma inconsciente). Em uma galáxia mais próxima do tempo, também são inesquecíveis as tardes de domingo nos ensaios do Orquestra Voadora durante o pré-carnaval.

Muitos amigos meus (não arquitetos) acham que o projeto do MAM é do Niemeyer, mas eu os informo que estão equivocados. O MAM foi projetado por um dos arquitetos mais talentosos de sua geração e que, infelizmente, morreu prematuramente. Seu nome era Affonso Eduardo Reidy e, além do MAM, nos deixou várias obras construídas, dentre elas: Aterro e Parque do Flamengo, conjunto residencial Pedregulho (São Cristovão), conjunto residencial Marquês de São Vicente (Gávea), Teatro Popular Armando Gonzaga (Marechal Hermes), inúmeras residências espalhadas pela cidade e tantas outras.
Alguns entendidos dizem que, enquanto Niemeyer é um grande criador de formas, Reidy era capaz de associar riqueza plástica com conteúdo social e viabilidade econômica. A criação do Departamento de Habitação Popular, pela engenheira Carmen Portinho, possibilitou que Reidy (indicado como Chefe do Setor de Planejamento) realizasse obras de destaque nacional e internacional, como são os casos dos conjuntos residenciais do Pedregulho e da Gávea. O projeto do Pedregulho ganhou o Primeiro Prêmio da Bienal Internacional de São Paulo de 1951.
Como escreveu Nabil Bonduki: Affonso Eduardo Reidy é um dos pioneiros da renovação da arquitetura no Brasil, formando com Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, o grupo de proa que colocou a arquitetura moderna brasileira em destaque no cenário internacional.

Destaco aqui um trecho de um texto de 1953, do próprio Reidy, sobre o projeto do MAM:
"Se a correspondência entre a obra arquitetural e o ambiente físico que o envolve é sempre um questão da maior importância, no caso do edifício do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro essa condição adquire ainda maior vulto, dada a situação privilegiada do local em que está sendo construído, em pleno coração da cidade, no meio de um extensa área que num futuro próximo será um belo parque público, debruçado sobre o mar, frente à entrada da barra e rodeada pela mais bela paisagem do mundo. Foi preocupação constante do arquiteto evitar, tanto quanto possível, que o edifício viesse a constituir um elemento perturbador na paisagem, entrando em conflito com a natureza. Daí o partido adotado, com o predomínio da horizontal em contraposição ao movimento perfil das montanhas e o emprego de uma estrutura extremamente vazada e transparente, que permitirá manter a continuidade dos jardins até o mar, através do próprio edifício, o qual deixará livre uma parte apreciável do pavimento térreo. Em lugar de confinar as obras de arte entre quatro paredes, num absoluto isolamento do mundo exterior, foi adotada uma solução aberta, em que a natureza circundante participasse do espetáculo oferecido ao visitante do Museu. [...]"
Fonte: Affonso Eduardo Reidy / [Organizador/editor Nabil Georges Bonduki] - São Paulo : Instituto Lina Bo e P. M. Bardi ; Lisboa : Editora Blau, 1999.

5.7.12

Praia Vermelha, Urca - Pão de Açúcar

Para não ficarmos parados durante essa greve prolongada das universidades federais, eu e alguns alunos fomos aproveitar o dia na praia Vermelha, no bairro da Urca. O dia estava lindo e, mais uma vez, o Pão de Açúcar atraiu o meu olhar (e olha que a concorrência estava forte, quem foi sabe do que estou falando), servindo de motivo principal da aquarela que posto aqui.

Faremos na próxima semana, se a greve continuar, uma visita "desenhística" ao MAC (em Niterói) devidamente munidos de nossos cadernos de croquis, é claro. Como todos sabem, o arquiteto idealizador do MAC é o nosso digníssimo Oscar Niemeyer.

 Cotman WaterColours sobre papel Arches 300Gr. Grana Fina.





7.5.12

Sketchbook + Dança de Salão + Praça Tiradentes

Nas noites de quinta-feira acontece um baile de dança de salão em plena calçada da praça Tiradentes (Centro do Rio de Janeiro), em frente ao edifício registrado no desenho abaixo, que fiz durante a ocasião. No terceiro andar do mesmo edifício fica a Escola de Dança Centro Cultural Carioca que é a organizadora do evento.
Não é a primeira vez que tento registrar esse baile no meu caderno, o cenário é bonito, rola uma energia legal entre as pessoas, mas na outra ocasião caiu um temporal daqueles e não deu para desenhar; ainda assim, alguns casais insistentes continuaram dançando na chuva por horas. Porém, na última quinta, a noite estava linda e não quis deixar a oportunidade passar. Agradecimentos especiais aos mendigos, bêbados e afins que deram palpites no desenho naquela noite e aos amigos que figuram como os dançarinos do baile.

 Aquele abraço

Buenos Aires

Aproveitei o feriado do dia do trabalhador para dar um pulinho lá, em Buenos Aires, logo ali, encontrar o amigo, arquiteto e urbansketcher Norberto Dorantes. Desenhamos o cruzamento da Av. Santa Fé com a Av. Callao enquanto conversávamos sentados no café da esquina.
Valeu Norberto, até a próxima e aquele abraço.



25.4.12

Igreja do Bom Jesus da Coluna.

Aquarela sobre papel Arches 300gr.
Esta igreja fica escondida dentro da vila militar, na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro. A torre do sino oferece uma grande e bela vista da Guanabara, Cristo Redentor, Pão de Açúcar e ponte Rio-Niterói, mas esse desenho fica pra próxima.
Aquele abraço

2.4.12

Yaaar!

A pirataria rolou solta aqui no Rio. A tripulação invadiu o Feijão Ilustrado de março.






Fotos de Kelly Ratton

27.2.12

Feijoada + amigos + sketchbook

Tarde ensolarada no Rio de Janeiro. A boa foi encarar uma feijoada com os amigos no bar do Mineiro, Santa Teresa.

24.11.11

damas no boteco e um guarda-chuva


Ontem, durante uma noite chuvosa, rolou aqui no Rio um encontro de desenhistas e ilustradores em um boteco bem conhecido. Rola todo mês e se chama Feijão Ilustrado.
O tema do último Feijão foi Exocet e duas damas tomando uma cervejinha sobre uma mesa de sinuca foram alvos dos desenhistas que lotavam o bar. As poses são curtas e não existe tempo para usar borracha. Fiz esses croquis com caneta hidrográfica (ponta de pincel) e canetinhas Posca sobre papel craft. A caneta com ponta de pincel me permite, por ser flexível, mudar a característica do traço durante seu trajeto. As canetinhas Posca proporcionam uma boa cobertura e funcionam bem sobre um fundo mais escuro como papel craft.

17.11.11

Instituto Moreira Salles + Aquarela




Esta aquarela foi o resultado de uma tarde agradável no Instituto Moreira Salles (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea, Rio de Janeiro). Um lugar tranqüilo e muito gostoso para desenhar. Depois que conheci o Cárcamo venho tentando explorar a transição de cores na própria folha de papel e ousando mais nas cores e contrastes (obrigado mestre, eu tento). É claro que não esqueço nunca meu aquarelista favorito, John Singer Sargent. Ele sempre acaba impregnando tudo que vejo. Quando vi essa pequena fonte no pátio central da casa, senti que era hora de colocar essas influências em prática.
A casa, construída nos anos 40, foi projetada pelo arquiteto Olavo Redig de Campos e os jardins e murais em azulejos são assinados por Roberto Burle Marx, apenas. A casa realmente impressiona, é um belíssimo exemplo da arquitetura moderna. Hoje em dia a casa foi alterada para abrigar exposições, sessões de cinema e um café. Nesta última visita encontrei diversos panoramas (do Rio, Recife, Salvador e outras cidades) feitos por viajantes. Pude ver as máquinas fotográficas antigas utilizadas por Pierre Verger, observei as matrizes de pedra para imprimir as litografias dos panoramas da cidade. Havia também uma sala cilíndrica onde os panoramas eram projetados em quase 360graus. Descobri que, antes da invenção do cinema, existiam na Europa construções cilíndricas (algumas com cerca de 10 metros de altura e 100 de circunferência) para a exibição de panoramas de cidades como Rio de Janeiro, Recife e Salvador; e isso atraia milhares de pessoas.

20.9.11

Três vistas do Pão de Açúcar

No último domingo fiz um passeio de van no Rio de Janeiro, com mais de dez amigos desenhistas. Uma nova idéia chamada Sketch & Van surgida no contexto do encontro mensal de desenhistas cariocas (feijão ilustrado). Nós percorremos diversos lugares e fizemos desenhos de 20 minutos, 30 minutos, 15 minutos. Eu usei lápis grafite e aquarela. Entre os desenhos que fiz nesse dia estão estas três vistas do Pão de Açucar, local de fundação da cidade do Rio de Janeiro. O dia estava especialmente bonito, perfeito para desenhar a natureza peculiar da cidade carioca.
A primeira vista foi feita a partir do obelisco projetado por Lúcio Costa, no Aterro do Flamengo. A segunda foi feita no Mirante do Pasmado e a terceira foi feita no Parque das Ruínas (uma das vistas mais sensacionais do Rio de Janeiro), em Santa Teresa.
Aquele abraço





26.8.11

Conheça os correspondentes: RIO DE JANEIRO - RJ < Rafael Fonseca

Rafael Fonseca, Rio de Janeiro, Brasil. Carioca, arquiteto, professor, cenógrafo e ilustrador. Constantemente atarefado diante dos computadores e cadernos de desenho. Formei-me arquiteto e hoje sou professor de desenho da FAU-UFRJ, onde também tento concluir minha tese de doutorado.
Ultimamente tenho trabalhado muito com ilustrações de arquitetura e de livros, atividades que adoro fazer. Também não largo os meus projetos pessoais, como meus cadernos de croquis, minhas derivas urbanas com fins "desenhísticos", meu blog, minhas pinturas, aquarelas e projetos arquitetônicos utópicos. Faço o que faço pois isso traz um senso de significado muito grande para a minha vida e, por sorte, me pagam para fazer essas coisas. Os desenhos não têm importância em si, mas sim os lugares onde eles me levam. O foco é sempre no meu auto crescimento, na construção diária da minha essência, formada pelo acúmulo das minhas experiências. Quando estou no mar, sempre procuro me manter aonde não dá pé. É preciso transver o mundo através da imaginação, como dizia o poeta Manoel de Barros.
Além disso sou devoto do Cordão do Boitatá, passageiro da Orquestra Voadora, amante do Maracanã em dias de Fla x Flu. Nas horas vagas, flerto com o chorinho, a dança de salão e com a corrida de aventura. Viciado nos amigos, em desenhar; freqüentar livrarias, cinemas, museus e gafieiras; ouvir e tocar música; andar de bike, mergulhar no mar e na peladinha de terça.

Conheço o blog do Rafael Fonseca.