23.8.16

SUPORTES

Nos últimos dias percebi que só os ladrões de banco conseguem entrar na Caixa Econômica de Cubatão. Minha cidade tem o maior pólo industrial da América Latina e com as instalações das portas giratórias e os funcionários das indústrias do Pólo usando as botinas com bico de aço, resultam em filas enormes, que chegam a lamber as calçadas, de tanta gente.

Mês passado fui apenas buscar um novo cartão do banco e acreditando que isto levaria poucos minutos, deixei a minha bolsa com o Ivo, dono da maior banca de jornal da Avenida 9 de abril. 

Só para entrar no banco forma mais de vinte minutos na fila e ouvindo as mais diversas conversas e os mais criativos palavrões.

Quando passou a primeira meia hora, já estava agoniado e agonizando, pois tinha deixado o meu caderno dentro da mochila.

Por sorte minha caneta estava no bolso e não pensei duas vezes. Utilizei a senha de atendimento para rascunhar alguma coisa.

Claro que passou mais meia hora e eu ainda estava preso no banco. Na verdade, se é difícil entrar, sair de um banco hoje é uma verdadeira jornada épica. Peguei o segundo suporte que estava à mão.

Propaganda do Bolsa Família
Fiquei mais uma hora no banco e sai sem o meu cartão de crédito.

Isto tudo é para demonstrar que é muito bom ter a caneta predileta, o caderno da vez, o lápis de cor, a aquarela e tudo mais que é da nossa predileção à mão, mas quando não dá, atacamos os suportes que temos por perto. 

minha sogra Sueli Regina, sofrendo, assistindo uma partida de Vólei na Rio 2016
Hoje não pensamos duas vezes em levar nossos cadernos para todos os lugares, mas nem sempre foi assim, quando o único suporte que nos restava era um belo ou sujo guardanapo de um restaurante qualquer.

Guardanapo da mais famosa Cantna de Massa de Santos

Isto remete a vasta coleção de desenhos feitos por uma enormidade de artista e arquitetos  em guardanapos de restaurantes. http://www.archdaily.com.br/br/768632/17-croquis-de-guardanapo-feitos-por-arquitetos-famosos.

Os últimos que apreciamos foram do cineasta Tim Burton, em sua exposição que passou, neste ano, em algumas capitais do Brasil,com um série significativa de desenhos neste suporte.

Temos amigos que desenham em folhas de árvores encontradas pelo caminho - Sandra Kuniwake - , em copinho de café, em prendedores de roupa – como o presente da amiga Chris Avela César no Encontro de Curitiba, em papelão, em madeira de demolição, nas paredes – vide André Coelho e nos muros – não estou falando de pichadores, mas no Raro de Oliveira, Fabiano Vianna e João Paulo de Carvalho, no lindo Scretkwall,  vidro, alguns ouçam desenhar no corpo alheio - Claúdio Cruz- e etc...

Claro que o suporte adequado traz o resultado esperado, mas ao mudarmos o suporte, na maioria das vezes é necessário mudar o jeito de olhar e a técnica utilizada e a benfazeja surpresa do resultado, o que permiti observar com mais atenção, os desenhos realizados de forma distinta daquela que utilizamos freqüentemente e encontrar beleza naquilo que anteriormente considerávamos banal ou trivial demais.

Acho que é desnecessário lembrar que o quê gostamos é de desenhar, desenhar e desenhar, não importando como, em quê e onde.

Carlos Roque Barbosa de Jesus
Cubatão – SP. 

22.8.16

Conheça os Correspondentes: Odil Miranda Ribeiro, de Londrina/PR

Sou paulistano, nascido em 1961. Depois de morar em diferentes cidades, em 1994, me transferi para Curitiba e no início de 2015, mudei para cidade de Londrina. 

Revirando meu “baú” encontro um registro, em minha carteira de trabalho. Em uma página, amarelada pelo tempo, a data do registro é 1º de agosto de 1976. O nome da empresa contratante Multistudio Ltda., especialidade do estabelecimento Atelier de desenho, meu cargo “aprendiz”.

Foi assim, que há mais de 40 anos, eu comecei, oficialmente, a me relacionar com o desenho. Na sequência vieram outros registros com várias funções, em departamentos de arte criação de agências de propaganda. Naquele tempo não havia computadores, só papéis, lápis, tintas, pinceis e materiais afins. Uma delícia.

Quando os computadores entraram definitivamente nos estúdios os departamentos de “arte” perderam a cor, ficaram cinza. Abandonei tudo e fui trabalhar com outras coisas. Mas com o passar do tempo a necessidade de produzir e de me expressar com arte ficou insuportável, resolvi então a realizar um velho sonho de pintar quadros.

Acabei ingressando no curso de pintura da Faculdade de Belas Artes do Paraná, onde me graduei. A partir de 2008, último ano da faculdade, comecei a produzir uma série de quadros e participar de exposições e salões de artes. Com menos regularidade ainda continuo essa produção. A necessidade de reorganizar a vida me levou a fazer um mestrado em Comunicação e Linguagens, com pesquisa em Estudos de Cinema e Audiovisual, concluído em 2015, pela Universidade Tuiuti do Paraná.





Desde 2013, por convite de amigos, eu comecei a participar dos encontros do Croquis Urbanos Curitiba. No início meio sem jeito, só fazendo desenhos a grafite e bico de pena, depois, também por indicação de amigos, comecei a fazer aquarelas. Eu já tinha experimentado a técnica antes, mas não tinha me empolgado. Porém, a paixão cresceu com a prática nos encontros dominicais dos croquiseiros.




Quando mudei para Londrina, fiz uma aquarela do Lago Igapó, cartão postal da cidade. Postei a pintura na página do Croquis curitibano e na legenda descrevi a minha ambição de criar um Croquis Urbanos Londrina. Minutos depois recebi a mensagem do Patrick Rocha, londrinense, estudante de arquitetura e urbanismo, fanático e profundo conhecedor a cidade, se dispondo a participar da criação do grupo em Londrina.





Mais de 1 ano se passou e conseguimos fazer encontros do Croquis Urbanos Londrina, todos os domingos, initerruptamente. O grupo cresce e se consolida atraindo mais e mais participantes para a prática do desenho de observação.











21.8.16

Algumas impressões gráficas das Olimpíadas no Rio



                 Apesar de toda a discussão do que já aconteceu ( a ainda irá acontecer) por conta da validade dos procedimentos e da tramitação que levaram à realização deste evento incrível,  uma coisa é fato, Olimpíadas estão acontecendo no Rio de Janeiro. Cidade lotada, obras que revitalizaram uma orla esquecida, fora um grande número de eventos simultâneos em todos os cantos. Flanar  e aproveitar os acontecimentos está sendo inevitável, ou melhor, irresistível. Obviamente, não deu para ser onipresente, e por isso o acaso me guiou neste apanhado de desenhos que fiz aqui. A Pira olímpica na Candelária, a presença da população e das grandes empresas patrocinadoras, o Parque Olímpico na Zona Oeste com algumas provas que por lá ocorreram, e a regata feminina que ocorreu na linda e , infelizmente, ainda poluída Baía de Guanabara!


Arenas Cariocas , Parque Olímpico

  Sempre tenho em mãos mídias variadas, lápis de cor, aquarela, grafite, nanquim, dependendo do humor , do desejo e da adequação à urgência do momento eu lançava mão de algum deles. Intensidade  e movimento são palavras mais que associadas ao esporte ,enquanto  urgência e comunicação  são as de um cronista gráfico urbano. Então esse evento é um prato cheio para qualquer Urban Sketcher.
Regata Feminina , Baía da Guanabara



            
Interior da Arena Carioca 2
Câmeras e Lutas
  
Despite all the discussion about what happened and what is going to happen in the process of making the 2016 Olympic Games come true, one thing is certain: Rio is exuding Summer Olympics! The city is crowded, the formerly forgotten docks were revitalized, not to mention a great number of concerts and events simultaneously happening all over town. Walking around and seizing this vibe is unavoidable, not to say irresistible . Obviously, it is impossible to take part in all of the happenings, and I let chance guide my sketching choices: the Olympic Pyre in the city center, people on the streets, sponsors' stands, the Olympic Park in West Rio city where some competitions took place, the female regatta on the beautiful and , unfortunately, yet polluted Guanabara Bay. 
RioCentro e o Levantamento de Peso
             




I always have different tools on me, such as color pencils, watercolors, graphite and ink . Depending on my mood, and what fits each situation better, I make the choice. Intensity and movement are words more than associated with sports, whereas urgency and communication are the ones affiliated with urban graphic chroniclers. So this event is perfect for any Urban Sketcher!



Pira Olímpica






19.8.16

Antenas, muros e portões



Quando criança observava estas altas antenas das subestações elétricas, conectadas umas nas outras em sequências perfeitas em seus inúmeros fios, e imaginava o máximo que seria se fossem robôs humanóides gigantes. Culpa dos antigos seriados de superheróis japoneses.
No bairro do Campo Belo, existe um espaço como este, visualmente impactante, com acesso por uma rua discreta. Estava lá passando e, já que tinha tempo, encostei na parede de uma oficina mecânica, e comecei a desenhar. Achei uma visão rica em informações, tinha caçamba, tinha muro e portão com arames enrolados no topo, e muitas antenas em sequência dentro de uma perspectiva que gostei muito de fazer. Poucas pessoas circulavam naquele trecho da rua, resolvi retratar um sujeito que passou rapidamente por mim com um cigarro na mão e olhar distante. Um senhor parou para conversar e observar, sorridente. A porta ao lado da parede em que estava encostado abriu, dali saiu uma mulher, me cumprimentou, trancou a porta e foi embora. Nisso foram duas horas de desenho.



Nesta semana também fiz outro sketch em outro ponto da cidade, mas acho que os dois possuem temas semelhantes, então o insiro aqui no mesmo post. Na rua Doutor Bacelar, em um canto, uma das calçadas dignas das piores. Como a rua desce, a calçada também desce, porém em forma de platôs, e as transposições entre eles possuem degraus que devem chegar a 50cm de altura. Portões fechados de antigos comércios, criando neste ponto uma destas áreas vazias no espaço urbano.


Interessante como em ambos os casos, as antenas, muros e portões, que criam espaços esquisitos e vazios, são dominados pelas linguagens urbanas da pichação e grafite.

13.8.16

Sal, Cabo Verde - Parte I

1º vez, em Cabo Verde
 
 
1º desenho, ainda feito em casa. Antes de partir para um Lugar novo, gosto sempre de estudar um pouco a história desse lugar e assinalar alguns pontos de interesse, fugindo um pouco aos roteiros turísticos.
 
2º desenho, domingo, Pontão, Santa Maria, Sal.
 
 Ir para o Sal, sem poder apanhar sol, parece uma loucura, e talvez seja, mas para que servem as esplanadas e o diário gráfico?
 
o 1º desenho não podia ser outro - Praia do Pontão, o principal ponto turístico do Sal, o verdadeiro coração da ilha.
 
À direita, um grupo de jovens a jogar volei. Em 2º plano, temos o restaurante Cretcheu (em crioulo significa "quero-te muito"). Em 3º plano, conseguimos ver a cobertura de uma das mais antigas construções de Santa Maria, a Casa Viana, ou Vianinha. à Esquerda temos o famoso pontão. Ao domingo não há pesca, por isso hoje, só encontramos turistas que se deliciam a ver crianças e jovens locais a mergulhar para as águas límpidas. A algria destes jovens é contagiante. Apesar do peso do turismo, fiquei feliz pela forte presença dos habitantes locais na ilha.

7.8.16

4º USK Florianópolis

Aconteceu em 7 de agosto de 2016.
Nos encontramos na Praça XV no centro de Floripa.
Desenhamos no entorno da Feira de Arte na Casa do Teatro Armação.
Turma animada, tarde agradável, música de violão e cerveja servida na calçada.
Foi muito bom.






2.8.16

35º Encontro Urban Sketchers Rio - Especial Olimpíadas

O 35º Urban Sketchers Rio foi especial, especial das Olímpiadas! Nos dirigimos para o recém inaugurado Boulevard Olímpico / Orla Conde para conhecer esse novo espaço da cidade, antes escondido embaixo do finado Viaduto da Perimetral. E pela primeira vez realizamos um percurso! Nosso ponto de encontro foi a Igreja da Candelária, e de lá iriamos para o Boulevard. Para nossa surpresa o acesso estava fechado (faltando 5 dias para os jogos!?), então ficamos a desenhar a belíssima Igreja, um dos mais belos monumentos do Rio. E acabou sendo uma idéia maravilhosa! Às 11hs tiramos nossa foto de grupo e andamos para a Orla Conde, a umas quadras dali. E lá, que surpresa! Um recanto lindíssimo da cidade, antes escondido, se abriu para nós! A vista serena para a Baía de Guanabara, a bela arquitetura da Ilha das Cobras e o intrigante Espaço Cultural da Marinha - que possui um barco a vapor, um submarino e uma réplica de uma Nau colonial em exposição - foram a melhor descoberta do dia. Fico feliz que mesmo com tantos problemas, pelo menos esse espaço, esse legado fica com a cidade. Decidimos ficar por ali mesmo e ali fizemos nossos últimos sketches do dia. O que foi uma escolha acertada, a Praça Mauá e o resto da Orla estavam cheíssimos - muito badalados pelo Museu do Amanhã e o VLT. Já o nosso cantinho estava fresco e agradável! Por volta de 12:30hs tiramos nossa segunda foto e foi realizado o sorteio de brindes de nossa parceira, a Editora GGBrasil. Agradeço o Grupo Arte Guanabara, a todos os antigos e novos membros que participaram, a Editora GGBrasil pelo apoio e pelo Felipe Lisboa, nosso incrível fotógrafo, que com olhos ágeis, sutís e atentos, captou todos os nuances desse maravilhoso domingo! Obrigada e até a próxima!