14.9.19

LARGO DA MATRIZ EM PARATY


Esse desenho é da tarde de sábado do 1º Encontro Urban Sketchers RJ-SP que ocorreu em Paraty (RJ).
O encontro foi marcado no Largo da Matriz onde se encontra a Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, que estava em festa pela padroeira da cidade, que dá nome à igreja ..
Ponto que escolhi para desenhar foi o canto da praça que fica para a Rua da Cadeia, que também é Marechal Deodoro.
Esse trecho da rua da Cadeia, em frente ao Largo da Matriz, é repleta de bares e restaurantes..

13.9.19

LARGO DE SANTA RITA EM PARATY


Esse desenho é da manhã de sábado ensolarada (recebida com muita alegria por habitantes e turistas) do 1º Encontro Urban Sketchers RJ-SP que ocorreu em Paraty (RJ).
Depois de dar uma volta pelos arredores do Largo Santa Rita, me instalei ali na Rua Santa Rita, quase na esquina com a Rua Dr. Pereira, que me pareceu oferecer uma vista interessante.
Só havia me esquecido que por ser muito próximo aos cais, vez ou outra, na maré cheia, a água invadia aquela rua, inclusive a calçada ..
Algum tempo depois de ter me instalado naquele lugar, só vi a maré começar a invadir a rua .. em seguida, seria a calçada, onde eu estava ..
Desenhei, e ao mesmo tempo, torci para que a maré ao menos me permitisse concluir minha obra daquela manhã ..

22.8.19

Aulas na Rua

A organização não é o meu forte. Vira e mexe, estou às voltas em situações em que não consigo encontrar livros de meu - ainda pequeno - acervo, ou até os meus cadernos de desenho. E foi numa dessas procuras desenfreadas por um livro, que (re) encontrei um caderno que usei durante uma disciplina que ministrei, que teve o croqui como forma de representação e linguagem para apreensão da cidade. Levamos os alunos para a rua: para dar aula na rua, com o objetivo de construirmos experiências a partir do "estar na cidade". Os desenhos então vão para além do mero registro: funcionaram como canal de diálogo entre professores, alunos e a cidade.

Ainda não achei o livro que procuro. Mas refresquei a memória dos dias de calor e sombra, através destes breves registros.


































14.8.19

A SURRA EM ALTA VELOCIDADE


                                                                                                                                          À Piracicabana




Compartilho com alguns amigos e em especial com o Alexandre Jr., o gosto de desenhar em transporte público. Ele no conforto do metrô da capital mineira e eu, nos ônibus que cruzam esta terra úmida da baixada Santista. Como o ar está seco nestes últimos dias. Meu nariz parece uma chaminé abandonada.
Mas para isso é preciso estratégias.
Primeiro, escolher o local onde sentar e o melhor lugar é na cadeira que fica em cima do eixo traseiro do ônibus. É um lugar mais alto e tem duas vantagens: primeira – a noite você fica mais perto da luz, isto é, quando o motorista acende as luzes ou elas não estão queimadas e segundo- você se livra do risco de ter uma careca brilhante, tampando seu horizonte e saber a hora certa de colocar e retirar a caneta do papel, para que seu desenho capte o sacolejar do ônibus, mas que tenha ao menos, um pouco de nitidez.
Mas estamos em tempos de ruínas, os mais otimistas diriam tempo de reconstrução, mas não tenho tempo para eles, vejo tudo caindo de podre, espalhando cacos e pedaços, daquilo que erguemos com muito sacrifício.
E todos concordaram que transporte público nunca foi uma prioridade, ganhando mais atenção apenas do nosso sistema de saneamento básico.

Com os eventos da copa do mundo e das olimpíadas, o termo mobilidade entrou em voga, com promessa que não mais perderíamos horas do dia, presos em engarrafamento enormes e olha que já mudou muitas coisas nestes últimos anos por causa de vinte centavos de aumento na passagem, mesmo pouquíssimas pessoas tenham dado atenção ao slogan da época, que aquilo tudo começou e se espalhou por quase todo o país, não era apenas pelos vinte centavos. Era para jogar o Brasil em um outro ritmo, mesmo que continue parado.
Os ônibus do transporte público, que agora competem com o transporte alternativo de vans, que ajuda em seu sucateamento, talvez sejam a face mais nítida deste novo Brasil, que a cada dia nos faz lembrar das nossas escolhas determinadas pelo fígado, em produção de uma quantidade exagerada de bile verde e amarga.
Digo sim, porque ontem voltando de Santos tive prova cabal desta situação. O primeiro ônibus passou e não parou e que agora, me parece ser melhor e mais bem iluminado, mudando de faixa, deixando com a mão estendida no vazio.
Menos de um minuto depois chegou outro, na sorte que me sorriu, em parte, e certamente decretou mais de uma hora de espera para que perdeu os dois ônibus.
Claro, sentei no lugar mais alto para ler, terminar um livro que comecei na semana passada e diz do dizer da feitura de um outro livro, na metalinguagem que não me agrada e estava no finalzinho, duas ou três páginas e com o caderno de desenho pronto para entrar em ação.

Mas antes de chegar ao final da quadra, mudei de ideia. Simplesmente aquilo que chamam de suspensão estava ausente no mecanismo deste veículo. Passou em um buraco discreto e os bancos, que não são nada macios, não impediram que o baque violento, me fizesse sentir que o meu cóccix tinha sido partido ao meio.
Mudei para um banco entre os dois eixos, que é o lugar em que, em tese, temos a melhor estabilidade. Mas o banco estava solto. Nova mudança e onde sentei, as janelas chacoalhavam tanto, batendo uma na outra, sem a espuma de proteção que deveria existir entre eles, que tive a certeza que se partiriam em um milhão de estilhaços ao passarmos em um outro buraco, resultando em banho de cacos de vidros, afiados e cortantes.
Mudei novamente, na minha migração em viagem interna.
Mas antes de me sentar, o motorista, que estava na missão secreta de arrancar o seu progenitor do aparelho de aplicação de aniquilação por asfixiamento, fez uma curva tão fechada, arrastando a traseira do ônibus para fora da curva e lançando-me de encontro a lateral do ônibus, batendo a cabeça e o ombro direito, freando em seguida, atirando-me contra o banco da frente, machucando o outro ombro e espalhando as minhas duas mochilas – uma estava aberta – e o meu livro e o meu caderno pelo chão.
Consegui sentar, recolher as minhas coisas e desisti de ler, de desenhar, cruzando os braços, massageando o ombros e me perdendo na sensação boba de um início torturante de uma dor de cabeça.
Nunca fiz uma viagem tão rápida neste percurso e se fosse cronometrada, ainda ganharia uns breves segundos, porque desci do ônibus quase em movimento, no meio do cruzamento, onde o motorista parou em lentidão, para não dar passagem para que ninguém ousasse ficar em sua frente, atrapalhando-o cumprir sua missão. Espero, com toda fé que me restou, que tenha conseguido salvar o seu amado pai.
Cheguei em casa me arrastando, com o corpo, comumente cansado, muído e dolorido e mesmo não ficando marcas, mimetizei as costas lenhadas pelo ferro e pela chibata dos homens escravizados, em todo o seu martírio de carga e canga. Hoje as marcas mais profundas ficam na parte de dentro e um banho quente sempre nos ajuda a dormir melhor, mesmo depois, de viajar; mesmo contra a nossa vontade; para o fim do mundo.



Carlos Roque Barbosa de Jesus
09 de agosto de 2019

8.8.19

Diário de bordo. Ouro Preto, eu fui!


Ah, que beleza que foi! Uma semana inteira vivendo e respirando desenho e amizade em Minas Gerais. Essa experiência, do Encontro Nacional de Urban Sketchers, já se tonou uma tradição em nossas vidas. E dessas tradições boas, não das chatas! Um momento de parênteses nas nossas vidas, pra fazer tudo ter um pouco de sentido, né?

Bom, mas o fato é que, pela quarta vez, me encontrei com gente fantástica do Brasil todo e, numa comunhão de 300 sketchers, me deliciei com a beleza de Belo Horizonte e Ouro Preto.

Nos primeiros dias participei dos três primeiros workshops oficiais da história do Usk Brasil. Todos os parabéns possíveis à Ekaterina Churakova pelo empenho em tratar com a direção internacional e organizar tudo isso. Sei que não foi fácil. Os mestres Raro de Oliveira, Mateus Rosada e Kei Isogai deram um show. Foram dias de muito aprendizado e partilha.

Já em Ouro Preto o difícil mesmo foi decidir o que desenhar. Era beleza pra todos os lados que se olhava. Ao grande André Perdigão e todo o povo fantástico do Usk Ouro Preto e Usk Belo Horizonte, todos os parabéns. Foi um evento impecável.

Não é todo dia que se desenha uma cidade que é patrimônio histórico da humanidade. Com justiça. Que cidade linda!

Me esforcei para tentar captar um pouco dessa beleza toda e apresento aqui nos desenhos seguintes com pequenas legendas, apenas para contextualizar. Vamos a eles!

No primeiro dia, não fugi ao clichê: fui direto à Praça da Liberdade e fiz o Coreto com o edifício Niemeyer ao fundo. Domingo, praça cheia de gente. Uma alegria danada desenhar com o sol se pondo...


Workshop do Raro de Oliveira. Fomos para aruá desenhar o cotidiano. Apenas com duas cores. Chaga em mim um maluco e convoca sua horda e de companheiros. Impressionado, o figura fica repetindo incessantemente: “Duas cô, mano. O cara faz isso só com duas cô!!!”, no melhor sotaque mineires. Esperei ele se afastar e registrei a cena. Segundo o Raro, ele entendeu perfeitamente o espírito da aula! Kkkkkkkkk

Ainda na proposta das duas cores, mas agora com traço, registrei a entrada do tradicional Colégio Arnaldo

Já de tarde, no Mercado Central, não resisti aos encantos do Bar da Tia. Segundo alguns comentários, esse é um desenho do Raro. Então, acho que aprendi bem, né?

O louco do Mateu Rosada, depois de nos ensinar tudo sobre perspectiva, ponto de fuga e a técnica ninja do hang-loose, nos propôs um exercício simples: 180º da Praça da Liberdade. Todos acharam que ele estava brincando, mas era sério. Daí, deu no que deu!

Esses três desenhos foram feitos no sketchbook sanfonado da Hahnnemühle durante a aula do Kei Isogai. Foi muito bacana poder registrar toda àquela turma boa que estava aprendendo sobre o desenho de pessoas na composição de um sketch. Sem contar que nessa aula aprendo onde está a linha do horizonte. Mas não vou contar, não. É segredo, talkei?




Não poderia deixar de registar o local que abrigou os três workshops, o Hotel Ronaldo Fraga. Um local tão encantador tanto por fora quanto por dentro!

Nos dias em que saia do hotel para ir aos workshops, me encantei por essa casa. Consegui fazer o registro no último dia!

Primeiro dia de Encontro Nacional. A Praça Tiradentes é um verdadeiro marco. Não poderia ser em outro lugar. Desenhá-la já seria bom o suficiente, mas desenhá-la acompanhado de 300 sketchers foi fantástico!

Dia 2, Igreja do Pilar. Optei por desenhar apenas uma parte dela, pois queria registrar um pouco de toda aquela arquitetura colonial tão característica da região

Igreja Nossa Senhora de Conceição. Esse desenho eu fiz acompanhado das queridíssimas Alejandra Hernández e Ariane Borges, da janela do Restaurante Dirceu. Tratava-se de um quadro pronto, já com moldura. Não pude ignorar! Ah, e pra minha surpresa, encontrei lambrequins em plena Ouro Preto. É mole?

À noite, durante a confraternização, desenhei o trio Escritório do Choro, que nos brindava com um som de primeira. E olhe que eu não sou nenhum fã de choro... Esse foi um dos desenhos que mais gostei da viagem. Fiz de primeira, sem esboço, em uns 10 minutos!

Ninguém acredita, mas deu uma ventania danada quando estava desenhando a Igreja do Rosário, daí ela ficou assim. Não foi culpa minha, ok?

Tudo que é bom chega ao fim. Taí o desenho final da Igreja São Francisco. Um misto de alegria e tristeza por estar me despedindo de toda essa gente boa. Mas não tem nada. Rio 2020 já chega!