31.3.19

Alguns detalhes sobre um dos meus desenhos expostos em Salvador

Imagem 1 - Desenho final
A programação do 3º Encontro Nacional Urban Sketchers Brasil, que aconteceu em setembro de 2018, contou com três espaços de exposição dos desenhos produzidos por vários sketchers de todo o país e eu tive o privilégio e honra de ser um dos convidados a participar. Para atender a demanda da Profa. Alejandra Muñoz, curadora da exposição, selecionei alguns desenhos antigos e sugeri à colega que apresentaria seis desenhos específicos feitos de forma digital. A sugestão foi aceita e um dos desenhos produzidos é este apresentado aqui. Você pode conferir o espaço reservado aos meus desenhos digitais na Imagem 2. Fiquei muito feliz e surpreso ao ver o painel com as obras impressas e as duas televisões que mostravam o processo de confecção dos desenhos. Tenho muito que agradecer a amiga Alejandra por tamanha generosidade.
Imagem 2 - Painel com meus desenhos ladeado por duas TVs com os vídeos do processo gráfico
O tema não é bem novidade. Eu já havia desenhado este edifício e feito uma postagem sobre ele, mas dada a importância deste complexo para o patrimônio arquitetônico da nossa cidade, achei que seria relevante para a exposição. Usei um iPad Pro em conjunto com a Apple Pencil e o aplicativo Procreate. Como o desenho deveria ser feito no local, eu estava sozinho e este equipamento poderia chamar atenção, resolvi fazê-lo dentro do carro. As condições não foram nada favoráveis. A posição para desenhar não era ideal e o calor estava bem forte. Tive que fazer um rápido esboço com linhas bastante genéricas (Imagem 3) e depois partir para os acabamentos finais. Notem que a parte linear também foi feita de forma bastante rápida e sem muitos detalhes (Imagem 4) deixando para as cores, sombras e luzes (Imagem 5) a definição final da cena.
Imagem 3 - Esboço inicial
O relatório do aplicativo acusa um tempo total de 3h37min de trabalho que, na verdade, foi distribuído em duas visitas ao local de aproximadamente 1h30 cada uma. Vale registrar que uma parte deste tempo é dedicado a organização geral do arquivo que deixo para fazer posteriormente. É claro que o recurso digital otimizou vários processos assim como permitiu a separação do desenho em camadas. Observem na Imagem 5 o resultado final sem as linhas. É interessante perceber como a cena continua legível apesar de perder alguns detalhes. Também gosto muito desta imagem. 
O vídeo mostrando o processo do desenho pode ser visto CLICANDO AQUI ou no final da postagem. É isso! Espero que tenham gostado. Até a próxima.
Imagem 4 - Desenho linear
Imagem 5 - Resultado final sem as linhas

25.1.19

Ano novo em Petrópolis e Rio de Janeiro


Tchau, 2018. Oi, 2019! Pra começar bem um ano, nada como uma boa escapada. Há dois anos atrás fomos à Minas: Ouro Preto, BH, Tiradentes e Inhotim. Me amarro numa cidade histórica. Já tinha estado anteriormente em Paraty. Só faltava Petrópolis. Não falta mais!
Escolhemos a região histórica do Rio para passar o réveillon. Fora um stress inicial com o hotel, achamos uma nova hospedagem e a partir daí foi tudo 10!
Fiquei muito impressionado com a Cidade Imperial. Um dos destaques foi a quantidade imensa de construções Enxaimel. Em muitos momentos achava que estava em Joinville! Descobri que a colonização alemã lá foi muito forte. Mas o mais impressionante mesmo foi a consciência de que, um dia, o Brasil já foi um Império. E uma parte muito, mas muito grande disso aconteceu ali. Confesso que me emocionei em andar pelos corredores do Museu Imperial, antiga cada de Dom Pedro II, de sentar nos muros da casa da Princesa Isabel para desenhar a belíssima Catedral Dom Pedro de Alcântara, de passear pelas ruas históricas e saber que, por ali, começou de fato a história do nosso país.
No fim da viagem tiramos uns dias par ir ao Rio. Entre um dia na praia de Copacabana e muitos passeios na região histórica, em muitos museus, voltamos pra casa renovados e com muitas histórias pra contar.
Nos desenhos seguintes, alguns registros feitos sob muito, mas muito calor!


Nesses dois primeiros desenhos, o hotel onde ficamos: Casa Rosa. Uma construção histórica totalmente reformada e agradabilíssima, bem na frente do Palácio de Cristal
Na parte interna, a Alice se divertiu na piscina enquanto eu registrava a cena
O ponto alto da viagem pra mim foi o Museu Imperial. É muito forte conhecer toda aquela história e saber que ela aconteceu ali, bem onde você está pisando. Fiz 3 desenhos. Este primeiro, o oficial: a fachada da imponente construção
Aqui um rápido registro de quando esperava minhas meninas chegarem, logo na entrada do Museu
Não dava pra sair do Museu sem registar a estátua do antigo “proprietário do imóvel”: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga. Sim, este era o nome dele. Quando estava na quarta série, tive que decorar!
Descobri que desenhar sob um sol escaldante não é uma boa ideia. Mesmo assim, está aí registrada a casa de Santos Dumond
Olhe bem para esta casa. Parece bem simétrica, né? Pois não é. A Casa do Ipiranga, mas conhecida por “Casa dos 7 erros” é totalmente assimétrica, mas engana. Posso garantir que tem bem mais que 7 erros!
Meu desenho preferido da viagem: Casa dos presidentes, residência oficial de verão dos presidentes brasileiros desde Getúlio Vargas. Duas belíssimas construções cheias de história. Infelizmente não conseguimos entrar, mas por um bom motivo: estão em reforma!
Sentei no muro da casa da Princesa Isabel para desenhar a Catedral Pedro de Alcântara. Assim que a vi achei que estava na Europa, de tão impressionante que é o visual! Porém, fui pego de surpresa por uma chuva relâmpago e não consegui terminar o desenho. Mas acabei gostando do resultado assim mesmo, incompleto...
Chegando ao Rio ficamos no bairro de Botafogo, bem de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas. A bateria dos nossos 3 celulares tinha acabado, então fiz o registro do fim de tarde no traço mesmo. Ali estão a Kelly e Alice, minhas meninas. Ao fundo, o Pão de Açúcar com o sol batendo apenas no morro mais alto, com uma nuvem fofa beijando-lhe o cume. Mágico!
Fazia tempo que eu queria conhecer o Parque Lage. Achei demais, mas fiquei muito triste com as condições de conservação e de, pasmem, limpeza de um lugar tão bonito. Fazia um calor tão infernal que nem sei como terminei o desenho. Rios de suor me entravam no olho!

Como ninguém é de ferro, passamos uma manhã que acabou às 3 horas da tarde em Copacabana, ao lodo do Forte. Delícia registrar o povo na praia. Tudo feito no meu caderninho Capuccino. Uma beleza para ocasiões assim! 

15.1.19

Desenhando Caraíba/BA: um Sertão Moderno?

André Lissonger 


No último Natal, sob o gentil convite de Lorena Lôpo e sua família, tive a oportunidade de conhecer a cidade modernista de Caraíba e sua fantástica mina de cobre no interior do Estado da Bahia – Sertão Nordestino. Sem entrar em detalhes do quão foi excelente a convivência pessoal naqueles dias de festividade em torno dos incríveis caseiros pátios modernistas, aproveitei também o privilégio para tentar fazer uns sketches da cidade planejada, projetada e desenhada pelo arquiteto urbanista Joaquim Guedes.

Tentar, pois eu confesso que após organizar o nosso grande Encontro Nacional Urban Sketchers Brasil que aconteceu na primeira semana de setembro do ano passado, me senti exausto e quase sem vontade nenhuma da prática de urban sketching. Concentrando-me somente no ensino, em duas competições nacionais de arquitetura e urbanismo, mais três extenuantes projetos de arquitetura, um novo mergulho na obra do geógrafo Milton Santos e outras questões pessoais que tive de abdicar ao longo de quase um ano. Nesse sentido, foi a surpresa de encontrar essa cidade no meio do Sertão, ao final do ano, e que me renovou o amor pelo desenho de rua... portanto, somente hoje, seguem essas linhas e desenhos, que venho costurando ao longo desse tempo.

Por do Sol do Sertão, em Caraíba/BA. 

Caraíba/BA é, atualmente e oficialmente, o Núcleo Residencial Pilar, Jaguarari, BA... o que aparentemente, não faz diferença para seus moradores. Nome e apelido confundem-se. Planejada em um período político-econômico centralizador, ditatorial e desenvolvimentista sob a demanda da antiga empresa estatal Caraíba Metais S.A., para viabilizar a exploração das jazidas de cobre, foi concebida através de um Concurso Nacional de Arquitetura e Urbanismo.

O certame foi vencido pela equipe de Joaquim Guedes no ano de 1976. A cidade é gestada pelo escritório até 1982, mas desde 1978 a cidade já passa a ser ocupada em função da exploração da mina de cobre. Pode-se dizer que as circunstâncias reais do contexto físico e cultural nortearam o seu nascimento, o que, por paradoxal que possa parecer... quase absolutamente contrastaram com os paradigmas do Movimento Moderno, ao qual Guedes era filiado. Ao ser humano geograficamente genérico desejado pelos ditames do modernismo, o sensível método (caminho percorrido) de pesquisa percorrido e o processo projetual adotado foi fertilizado pelo ser humano e contexto específicos.

Essa aparente contradição ocorrida no contundente modernismo pregado pelo seu criador já se inicia com uma extensa pesquisa realizada por uma equipe multidisciplinar que procura completar as parcas informações cedidas pela Caraíba Metais. Foram realizadas diversas pesquisas sobre as características geográficas, físicas e humanas. Daí também meu interesse nessa postagem, que veio na esteira do meu renovado interesse em re-refletir sobre a influência de Milton Santos nos meus trabalhos como urbanista e como urban sketcher.



Essas condições reais (sertanejas) influenciaram no nascimento da cidade, que teve que ser projetada relativamente “fechada”, mas também na condição uterina, que é proposta e, relativamente mantida no DNA das suas moradias. A cidade e as casas da caatinga (... sonora, majestosa, luminosa, bela,..) impuseram suas regras às condições existenciais dos seus usuários e moradores. A um sistema fixo de infraestrutura urbana, Guedes propõe um sistema arquitetônico variável, flexível, que até então é (re)apropriado, (re)significado, transformado pelos seus moradores.

Desenho original de Joaquim Guedes

No sistema fixo, é proposto um claro urbanismo funcionalista sob o método do zonning e um parcelamento urbano cuja situação fundiária corresponde à hierarquia social e econômica dos funcionários da empresa exploradora da mina. A rígida trama regular curiosamente é reconhecida com pitorescos nomes de espécimes biológicos da caatinga e, ao mesmo tempo, é justamente a escala e a linguagem das suas arquiteturas, dispostas em meio à malha urbana, é que contribuem para o fácil reconhecimento cognitivo dos diversos “lugares” criados... rompendo com o que se imagina que se poderia encontrar como uma paisagem modernista monótona. Ainda acho uma pena que muitos espaços vazios ainda não tenham sido projetados, completados, dando a aparência de terem ficado residuais.

Desenho original de Joaquim Guedes



A trama é organizada através de seis praças centrais e outras pequenas seis praças setorizadas próximas a escolas e parquinhos infantis. O centro da cidade é de uso misto, incluindo apartamentos e alojamentos (de arquitetura social) mais próximos às atividades de primeiras e segundas necessidades (órgãos públicos, postos de saúde, escolas, farmácias, mercados, bancos, etc). O hospital e as atividades de lazer social e esportivo são geralmente setorizados no seu perímetro.




Maquete original de Joaquim Guedes

Os edifícios de apartamentos e alojamentos são extremamente compridos (longitudinais), ocupam praticamente todo o perímetro das quadras centrais e possuem um projeto arquitetônico bastante interessante em termos tipológicos, de detalhamento e de alguns esforços fenomenológicos (estes últimos, bem sensíveis).



 



Em termos tipológicos, os edifícios possuem parte do seu corpo sobre pilotis... gerando galerias abrigadas do sol inclemente. Aí acontece grande parte da dinâmica urbana comercial. Algumas tipologias de plantas gerais e particulares, internas, reproduzem alguns modelos do primeiro pós-guerra europeu, com alguns interessantes detalhes de molduras, encornijamentos, modenaturas, caixilhos, trocas de ritmo e até de pingadeiras pré-moldadas.



Mas a paleta de cores encontrada e escolhida, em pastilhas tipo “Vidrotil”, parece estar em consonância com a maioria dos tons da vegetação e das trocas luminosas do contexto... todavia, essa percepção só é possível em presença das próprias obras. Seguem algumas aquarelas e comparações através de escalas Pantone e aplicativos de paletas em RGB.

Análises da paleta de cores da caatinga, da aquarela realizada in loco, das atmosferas ambientais e das cores dos edifícios dos apartamentos e alojamentos do centro da cidade.   

Paleta comparativa do modernismo de Tarsila do Amaral e Portinari, com temas sobre o Sertão Nordestino.

As tipologias das casas variam por classe social econômica, mas ainda assim, é possível notar muito mais além do que a possibilidade da sua modificação. A relação da maioria das casas provoca uma relação de contemplar e ser contemplado pela vida urbana... ter um trecho de jardim semi público que vai além das suas largas calçadas, e, sobretudo, permitir, com seu pátios internos, a redução do impacto do intenso calor e muitas variações da dinâmica da vida íntima (familiar).

Desenho original de Joaquim Guedes 

A tipologia arquitetônica adotada nas escolas parece estar antenada com os avanços das escolas montessorianas projetadas por Herman Hertzberger, na mesma época... permitindo, além do “controle” do conforto ambiental, a possibilidade de criação de um micro cosmos de determinadas turmas de estudantes. Senão, a intuição de Joaquim Guedes, contaminada pelas exigências do contexto... avança em uma direção interessante. Os espaços são muito generosos... e acredito que uma criança/adolescente que tenha estudado aí, tenha algumas boas recordações da vivência desses espaços e transições que variam entre a escala caseira, a escala comunitária e a escala urbana.

Planta original de uma das escolas, por Joaquim Guedes.

Os detalhes não param por aí... a equipe de Joaquim Guedes desenvolveu calhas prediais em casas, bocas de lobo urbanas, terças estruturais de telhado em técnicas mistas, aberturas de esquadrias, encontros de pilares nas juntas de dilatação, para diversos locais e edifícios. Geralmente localizados aparentemente em pontos focais estratégicos, como nos grandes vãos dos galpões dos clubes, eixos de corredores de escolas, ou mesmo nas folhas das esquadrias das mais singelas, humildes, residências.



Tipologia de casas com uma porta e uma janela. 



Detalhe das tesouras do clube.


É constante a troca de luminosidade e de temperatura nas suas casas. Variáveis desde o mais opaco até um alto índice de luz... da sombra mais refrescante e, em alguns momentos do dia, e também da noite, chegar ao acúmulo do calor abafado. Acredito que a experimentação tipológica ainda permite estudos mais avançados em termos de conforto ambiental, mas também são um bom avanço e exemplo da revisão que os próprios modernistas iniciaram em seus próprios preceitos mais rígidos.

Pátios internos vivenciados.

Passando dessa sensível micro escala bem familiar aos arquitetos, ainda tive o enorme privilégio de conhecer as instalações da contemporânea Caraíba Metais. Em especial, a possibilidade de adentrar a quilométrica mina de cobre abaixo do solo. Convite de Silvano, o qual brilhantemente proferiu incríveis preparações prévias, palestras e visitas sobre/nas instalações da Caraíba Metais... proporcionando momentos inesquecíveis a este relés projetista.

Já havia conhecido, em tempos de música, Senhor do Bonfim/BA, Juazeiro/BA, Petrolina/PE e cidades do entorno. Como arquiteto e professor, a escala de Sobradinho, Paulo Afonso, etc... o que já tinha me feito sucumbir ao que entendia, como jovem arquiteto, o que eu acreditava saber o que era arquitetura. Mas, percorrer os quilômetros de uma mina subterrânea contemporânea ainda conseguiu superar o que eu já tinha visto/vivenciado.

Infelizmente o tempo, que parece infinito lá dentro, pela tensão do próprio trabalho dos incríveis mineradores, a ambiência, e o aparato de segurança e vestimenta, não me proporcionaram a confortável sensação de desenhar lá dentro. Segue o sketch visual, cognitivo e intuitivo do “core” e da dimensão do que acredito ter visto, percebido e vivido lá embaixo.

De todos os “Cores” (núcleos) de infraestrutura predial que já tinha visto... esse foi o único onde predomina na paisagem. Possui, além das inúmeras instalações de ventilação, exaustão e circulação vertical, um elevador com capacidade para 100 (cem) mineradores. Nenhum projeto que já fiz, nem qualquer exercício de ateliê de projeto que já ensinei profissionalmente, teve, até hoje, um “core” dessa dimensão... no máximo espalhado em diversos locais de um projeto. O surpreendente está em que ele é, apenas, simplesmente, “a ponta do iceberg”.

    


Um “core” superficial de uns 100 metros de altura (tranquilo para qualquer edifício), como aquele, pode se multiplicar sua profundidade por várias vezes. Mas nem ele consegue chegar à extensão e profundidade daquela mina. A quantidade de buracos, locas, desvios, becos, operações (algumas extrações lembram vídeo games), extrações, cabos, hierarquias, desvios, instrumentos, equipamentos, situações, emoções, sensações, etc... tornam completamente indescritível a percepção daquele aparentemente incomensurável buraco feito pelos seres humanos. E, tentando aceitar que tudo aquilo é racionalmente controlado, comunicado, hierarquizado, e ainda, completamente desconcertado... tentando me aproximar às palavras do mestre Paulo Mendes da Rocha, quando fala dos fluidos, dos portos aquaviários, etc... tento cada vez mais aceitar, mesmo me impressionando, que “tudo é projeto” mesmo.



Hoje, quando encerro essas palavras... já à sombra e ventilação tropical da minha pequenina varanda à frente do azulado céu e do Oceano Atlântico em Salvador/BA, reflito que a experiência de conhecer, vivenciar e desenhar um pouquinho dessa cidade, que me foi gentilmente apresentada, me proporcionou, mais uma vez, aquelas que são as lições que mais me tocam no amor à arquitetura... a do lugar, e hoje passo a assumir, a da geografia humana e, ainda a outra, como sempre, a das escalas. Essas duas lições sempre me emocionam. E por isso as desenho... para que elas se fixem mais firmemente nas minhas lembranças.

Enfim, agradecido... encerro essas frases retornando a uma citação do próprio Joaquim Guedes que, ao iniciar um dos seus textos emblemáticos, cita uma igualmente marcante frase do poeta lusitano Fernando Pessoa...

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.

... e a recito pois é apenas dessa forma poética que posso/consigo transmitir essa minha sensação de desejo de ampliar a célebre e real máxima de Euclides da Cunha, de que, “o sertanejo é antes de tudo, um forte”... mas em Caraíba, de algumas formas, antes de tudo, sendo um forte... ele é também moderno.

20.12.18

FONTE DA TORRE DE TV EM BRASÍLIA/DF

Essa é de uma manhã que consegui acordar cedo em Brasília, antes de ir ao trabalho ..
Dos arredores da Torre de TV, ponto central de Brasília, escolhi no dia anterior, esse ponto em frente à Praça da Fonte para ser cenário de meu desenho ..
Em outros tempos, parece-me que havia um show de águas ..
Mas naquele dia, na calmaria daquela manhã, a fonte estava tranquila de tudo, apenas algumas pessoas que faziam sua corrida ou caminhada, e suas águas serenas, apenas refletindo o céu, a vegetação e ela mesma, que compunham a beleza do lugar ..

16.10.18

Alguns desenhos de observação feitos em Brasília

No final de semana do dia 12/10/18 eu e minha esposa estivemos em Brasília. Os motivos da viagem foram assistir ao show do Roger Waters e rever grandes amigos. Não tinha nenhuma pretensão de fazer desenhos nesta viagem uma vez que estávamos com um grupo de amigos e não queria atrapalhar o passeio de ninguém. Mesmo assim levei meu iPad para todos os lugares que visitamos caso houvesse a oportunidade de fazer algum sketch.

Acabei conseguindo fazer os três desenhos que apresento aqui. Levei aproximadamente 40 minutos para cada um deles com direito a alguns retoques posteriores quando já havia me juntado ao grupo novamente. Usei a mesma técnica para todos. Inicialmente fiz os croquis em tons de cinza e apliquei cores preservando as sombras já desenhadas antes. Como estava desenhando em meio digital pude separar estes dois momentos em camadas diferentes. Usei um iPad Pro de 10,5", a Apple Pencil e o aplicativo Procreate. Gostei dos resultados. Acho que o curto tempo e acabou contribuindo para a espontaneidade dos desenhos.