3.8.18

Um curitibano no Simpósio Usk Porto 2018: VIVA A VIDA VADIA!



Eu falei com indianos, com espanholas, com ingleses, irlandeses, escoceses. Eu falei com americanos, australianas, franceses, alemães. Eu falei até com uma húngara e com duas suecas! Eu falei com gente do mundo todo, um mundo um pouco mais bacana e colorido do que esse que vemos e vivemos por aí, todos os dias. Um mundo de gente unida pela paixão ao desenho e pela amizade que essa reunião pode trazer na nossa cidade, no nosso país e, vejam vocês: no mundo! O Simpósio Usk 2018 em Porto foi uma experiência indescritível, mas vou tentar descrevê-la aqui, só um pouquinho.

Cheguei 3 dias antes e fiquei em Lisboa. Lá, já encontrei muita gente desenhando pela rua. E ainda tive o prazer de me encontrar várias vezes com o Pedro Alves, seguramente um dos maiores Sketchers do mundo e um dos caras mais bacanas que conheci nos últimos tempos. Demos risadas, comemos, bebemos e, pasmem: até desenhamos juntos!

Chegando em Porto fui imediatamente incluído no “Simpósio Vadio”, um grupo criado pelo meu amigo Armando, o “Abnose”, uns dos coordenadores do POSK (Porto Sketchers). Esse simpósio paralelo, um “NÃOpósio”, como chamamos, foi uma reunião de Sketchers que não conseguiram ou não quiseram fazer a inscrição. Foi tão legal que até bolamos um bordão: “VIVA A VIDA VADIA!”. 

Os workshops, incluindo aí gente de muito peso como nossos camaradas brasileiros Eduardo Bajzek e Renato Palmuti, foram fantásticos, é claro. Mas na real, numa cidade maravilhosa dessas, com gente tão bacana assim, eu realmente fui mais feliz estando leve, livre e solto com meus amigos portugueses tão animados e talentosos, desenhando o que e quando queríamos. O que não me impediu de encontrar com os queridos sketchers brasileiros que estavam por lá: Tânia Pessoa de Barros e Marco Antonio; Tereza Regina Cordido e seu marido; Fernanda Vaz, Ana Paula Novo, Marília e Thaís Varella (Usk São Paulo); Carla Freitas (Usk Brasília), Fabrício Porto (Usk Fortaleza) e Tarcísio Bahia (Usk Vitória). Alegria garantida!

Eram 800 pessoas inscritas, mas todos tinham certeza de que deveriam ter mais 800 sem inscrição, vivendo intensamente esses dias marcantes. Essa foi minha terceira vez em Portugal, uma terra que aprendi a amar. Espero voltar muitas e muitas vezes. Se tudo correr bem, pretendo reviver a experiência em Amsterdam no ano que vem. Quem vai comigo?

Mas, chega de falar. Nos desenhos a seguir, e experiência real!



Primeiro desenho da viagem, já no aeroporto. Uma turma enorme de crianças de Joinville se preparava para uma viagem de férias no exterior. Suíça, eu acho...



Parada para conexão em Paris. Desenho do Aeroporto Charles de Gaule. Mal sabia que que esse não seria meu único desenho desse aeroporto...



Cheguei em Porto no domingo. As ruas estavam em festa pela vitória da França na Copa do Mundo. De cara, encontrei um indiano que desenhou comigo e me deu a pista de como seria um encontro multicultural



Já de noite, desenhos rápidos na Praça do Chiado: estátuas de Fernando Pessoa e Antônio Chiado



Bem cedinho, tomei meu café da manhã e tomei o rumo da Rua Augusta para a Praça do Comércio. Me sentei tranquilamente aos pés da estátua central e esqueci da vida por duas horas. Saiu o que saiu!



Logo após o almoço com Pedro Alves, recebi um conselho dele: “suba essas escadas. Quando chegar na casa vermelha, vire de costa. Mais, não falarei”. E fui. Vivi talvez o meu melhor momento da viagem: sobre a sombra deliciosa de um beco, fiz esse sketch da Calçada do Duque ao som de um violão de Fado que me acompanhou por duas horas. Foda!


Nas duas primeiras vezes que estive em Portugal tentei entrar na Igreja do Carmo. Sempre fechada aos domingos. Dessa vez deu certo. Um lugar impressionante! Ali encontrei com o segundo indiano da viagem, coordenador do USk Mumbai, Eranna Yekbote

Como o dia não havia acabado, eu e Erana subimos até a Catedral da Sé para o sketch noturno

Última manhã em Lisboa, aproveitei para desenhar a Praça Luís de Camões, logo depois de dar um chego na “Manteigueira” e provar o melhor Pastel de Nata de Portugal

Logo depois do almoço, ainda tínhamos 20 minutos e o Pedro Alves me convocou para um sketch rápido. Enquanto eu desenhei essa estátua, ele desenhos ela, toda a Praça da Figueira, o entorno e o Castelo de São Jorge, lá em cima. Não sabe brincar...

Primeiro desenho em Porto. A alta cúpula do Simpósio Vadio foi até a Catedral da Sé, mas eu me encantei por essa visão do Mercado do Peixe e fiquei por ali. Adorei o desenho, mas me dei mal: o Sketcher inglês Ian Fenelly passou pelo pessoal e parou no desenho da Alberta Rangel, nossa assessora internacional. Recebeu elogios e tirou foto. E eu perdi... depois dessa, não desgrudei mais da Alberta! Kkkkkk

Enquanto rolava a abertura oficial do Simpósio, na Alfandega, eu peguei essa visão aí da rua. E que rua!

Muita gente me perguntou se a logo oficial da Simpósio era minha, por ter essa coisa de distorcer que se tornou minha marca registrada. Não, não era. Mas aqui decidi fazer a minha versão da Torre dos Clérigos!

Até alguns amigos de Porto não conheciam esse lugar encantador, o Jardim das Virtudes. As vantagens de conhecer gente que mora na cidade...

Primeiro sketch do Largo de Miragaia. O André Baptista tinha recém-chegado e acabei por colocá-lo no desenho. Taí uma cara que eu gosto pacas!

Fim de dia, hora do Drink’n’Draw no Largo da Ribeira. Aproveitei pra pegar os amigos Armando e Bruno Vieira

Novamente da Catedral da Sé, mas agora em um outro ponto de vista. E, acreditem: pontos de vista maravilhosos era o que não faltava! Kkkkk

Novo desenho do Largo de Miragaia, agora olhando para o outro lado. Aqui eu quis colocar em prática a influência do meu amigo António Procópio e pratiquei uma legítima “Procopiada”!

Como um dia não pode acabar impunimente, decidimos atravessar a Ponte Luiz I e fazer um Sketch noutro em Gaia com a ajuda dos Pedros (Alves e Loureiro). Saímos de lá depois da meia noite! Não é a minha praia (aquarela), mas me esforcei bastante e acho que estou melhorando. Mas claro que não se trata de um grande sketch...

Dia final, um pouco antes da foto oficial, peguei a estátua do nosso D. Pedro I, D. Pedro IV dos portugueses. Sabiam que o coração dele (literalmente) está enterrado em Porto? A pedido dele!

Fim de tarde, um sketch rápido do cartão postal da cidade com grafite e um pouquinho de aquarela. E que cidade!

Na última manhã eu queria comprar um presente para a Alice, pois os da Kelly eu já havia comprado. Fui até a Rua Santa Catarina e faltavam 20 minutos para o Shopping abrir. Desenhei então a Capela da Almas. Finalizei depois com traço azul e aquarela

Tive problemas e minha volta pro Brasil demorou umas 30, 40 horas. No meio da agonia, mais um desenho em Paris pra matar o tempo



24.7.18

Simpósio do Porto - dia 1

Nas próximas publicações tentarei retratar a minha passagem pelo Simpósio dos urban sketchers na cidade do Porto.
Cheguei apenas na 6ª feira, dirigindo-me logo à Ribeira, onde encontrei um grupo de "vadios do desenho" que me adoptou durante o fim-de-semana.
O primeiro desenho foi logo ali na esplanada virado para este harmonioso caos.
 
Para cada lado que olhemos nesta cidade, encontramos um ponto de interesse para desenhar, sobretudo quando estamos na Ribeira. Aqui tentei captar a Ponte D. Luís e a Serra do Pilar.
 
 
Fiz-me ao caminho, aqui na companhia do meu amigo Filipe Oliveira. Enquanto ouvia 3 vizinhas a falar sobre os despejos dos moradores do centro histórico, aproveitei para desenhar algumas das casas de habitação social do Monte dos Judeus. 
 
 
À noite fomos vadiar para Gaia, onde o Pedro Alves deu um workshop - desenhar e pintar à noite. Cheguei tarde, tive de fazer batota (desculpa Pedro).
 

22.7.18

53º Encontro USK Natal + RIBEIRA DESENHADA (julho 2018)

O Encontro número 53 do URBAN SKETCHERS NATAL ocorreu dentro da programação do projeto RIBEIRA DESENHADA, edição de julho de 2018. Além do Encontro USK, a edição de julho contou com mais duas atividades: uma roda de conversa sobre "becos de arte, boemia e cultura", ocorrido no Espaço Cultural Buraco da Catita; e uma apresentação musical regada a jazz, chorinho e frevo, pelos músicos Jubileu Filho, Erick Firmino e Silvio Franco.

Durante as atividades do encontro, foram feitas homenagens ao arquiteto e urbanista, professor e músico Marcelo Tinoco, um grande incentivador das artes e da cultural na/da Ribeira.





No encontro USK, tivemos a presença ilustre do arquiteto e artista plástico Flávio Freitas, que no final do encontro abriu as portas de seu ateliê para uma visita e uma conversa sobre a importância do desenho em sua vida profissional e pessoal.



Os integrantes do encontro de concentraram basicamente na Av. Duque de Caxias, e os registros priorizaram basicamente panoramas e edificações existentes dos dois lados da rua (notadamente, a casa que residiu o médico Januário Cicco, o ateliê Flávio Freitas, a sede da Superintendência do IPHAN/RN, a Casa do Empresário e o Grande Hotel). Chamou atenção dos desenhadores, um número considerável de edificações proto-modernas, art-decô, e algumas com elementos ecléticos, estilos que predominaram no período de auge da região, cronologicamente situado entre os anos 1930-1945. Porém, constatou-se que esta identificação só é possível quando se tem a possibilidade de uma observação mais apurada, devido, principalmente, à quantidade de interferências (posteamento, placas de publicidade, etc.) que impedem uma melhor visualização dos elementos constituintes da composição do conjunto edificado.




















A "exposiçhão" dos desenhos ocorreu no interior da galeria do ateliê Flávio Freitas, onde fomo brindamos por uma emocionante e incentivadora fala do artista, que nos contou acerca da importância do desenho em sua vida, bem como a importância do "estar na Ribeira", produzindo, em seu ateliê, cotidianamente. Flávio também comentou sobre a importância de atividades como as realizadas pelos grupos USK em todo mundo, como uma forma de incentivar o "estar na rua" e o "observar a cidade".























Também foram realizados os sorteios de livros doados pela Editora Gustavo Gilli, cujos sorteados foram Daniel Lucas e Estrela Santos.



Flávio Freitas convidou o grupo a visitar também o seu espaço de criação, e aproveitou para falar sobre técnicas, materiais e processos criativos. Um verdadeiro brinde a quem participou do encontro.



Em seguida, ocorreu a roda de conversa sobre os "becos de arte, boemia e cultura", no interior do Espaço Cultural Buraco da Catita. Participaram dessa roda, como "puxadores de conversas": os professores desenhadores Clewton Nascimento e Eunádia Cavalcante; o arquiteto Haroldo Maranhão e o arquiteto e artista plástico Flávio Freitas. No centro do tema, a figura do arquiteto e urbanista, professor, desenhador e músico Marcelo Tinoco. As falas dos puxadores de conversa ratificaram a importância de Marcelo para o reconhecimento do bairro da Ribeira como espaço de boemia, cultura, arte e patrimônio na cidade de Natal. As falas foram complementadas pelo depoimento de amigos e familiares, a ressaltar o arquiteto e urbanista, professor e músico.








Por fim, as atividades foram encerradas com o fantástico show de boa música, realizado pelo trio Jubileu Filho, Erick Firmino e Silvio Franco (com participação especial de Flávio Freitas, no trompete, e Carlos Araújo "Peru", no pandeiro), amigos e fãs  incondicionais de Marcelo Tinoco. No repertório, um misto de jazz, blues, MPB e frevo, bem ao gosto do músico Marcelo.






O próximo encontro RIBEIRA DESENHADA ocorrerá no dia 12 de agosto, dentro da programação do CIRCUITO CULTURAL RIBEIRA. As atividades acontecerão na Praça Augusto Severo, a partir das 16h. Em breve estaremos divulgando a programação completa das atividades.