20.6.18

52º Encontro USK Natal + Ribeira Desenhada

As ações integradas do coletivo Urban Sketchers Natal e o projeto de extensão "Ribeira Desenhada"  do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFRN continuam com ótima repercussão e desdobramentos. No dia 09 de junho, houve o 52º encontro do USk Natal e a quarta edição do projeto Ribeira Desenhada, que articulou a prática do desenho de observação com discussões sobre o patrimônio cultural da Ribeira. O projeto é coordenado pelos professores José Clewton e Eunádia Cavalcante. 

Dessa vez, foi realizado um percurso entre dois importantes espaços culturais do bairro: a Casa da Ribeira, voltado para artes cênicas, dança e música, e a Galeria B-612, voltado para as artes plásticas e antiguidades. 

Rua Frei Miguelinho e arredores da Casa da Ribeira


Exposição dos desenhadores na entrada da Galeria B-612

O encontro reuniu dezenas de integrantes do USk Natal que fizeram desenhos de locação no decorrer do percurso, durante aproximadamente duas horas, se apropriando do espaço urbano, percebendo o uso e ocupação do solo no entorno, o patrimônio arquitetônico e urbanístico existente e visitando os dois edifícios mencionados. O trajeto iniciou-se na Casa da Ribeira.

Parte do grupo na Rua Frei Miguelinho, em frente à Casa da Ribeira





Registro de alguns trabalhos desenvolvidos durante o encontro

O percurso finalizou na Galeria B-612, espaço recém-inaugurado para exposição, criação, comercialização, fomento às artes plásticas e que apresenta a produção artística de dezenas de artesãos, pintores, escultores e colecionadores potiguares.

Aproveitamos o espaço concedido pelo Sr. Anchieta, proprietário da Galeria, para realizar uma roda de conversa sobre resistências, permanências e persistências na Ribeira, sobretudo no âmbito artístico-cultural.

A roda aconteceu após a realização dos desenhos de observação, no interior da Galeria, e foi puxada pelo empresário Anchieta Miranda, pelo jornalista e dramaturgo Henrique Fontes, fundador da Casa da Ribeira, e a produtora cultural Mariana Area, que coordena o Circuito Cultural Ribeira. O debate trouxe à tona o histórico de atuação desses agentes nos últimos 30 anos, as adversidades do ponto de vista de legislação e gestão pública, a importância das iniciativas de grupos artísticos ou empreendedores culturais, a insistência no diálogo e cobrança dos entes públicos e o desenvolvimento de uma política cultural para Ribeira, e não apenas a programação de eventos. Participaram ainda, colaborando com esse debate, outros frequentadores do bairro, da Galeria, da Casa, e desenhadores do USk Natal.




Roda de conversa que ocorreu na Galeria B-612
Durante o encontro, ainda houve sorteio do livro "Desenhe primeiro, pense depois" da Editora GG Brasil e apresentação musical do Grupo de Ópera "Canto dell'Arte", numa exibição de primorosa técnica, excelente repertório e de música clássica internacional, em celebração ao movimento desenvolvido na Ribeira.


Saulo Cavalcante, desenhador do USk Natal foi premiado no sorteio do 52º encontro

Grupo de Ópera "Canto dell'Arte" abrilhantando o encerramento do evento


Salve a Ribeira! Salve a Ribeira Desenhada!
Vida longa ao USk Natal!


André Alves
Co-coordenador do USk Natal

19.6.18

Conheça os Correspondentes: Cris Franchevich

Cris Franchevich é arquiteta, artista plástica e instrutora de aquarela, nasceu no Brasil e reside em Minneapolis, nos Estados Unidos. 

Cris entrou em contato com o movimento USK em 2013, durante o lançamento do livro do Gabriel Campanário, The Art of Urban Sketching. A palestra foi contagiante, descobrir que havia uma rede de urban sketchers espelhados pelo mundo foi uma revelação. 

Desde 2015 é então coordenadora do grupo local, Twin Cities USK, e agora também correspondente do USK Brasil. Cris viaja pelo mundo promovendo workshops de aquarela para USK. 

Através dos grupos de Urban Sketchers, faz amizades por todo o mundo. Para ela, essa e a essência do USK: a troca, a reunião, a caminhada, a descoberta da cidade: a retomada do espaço público como ponto de encontro. Desenhar in loco é sua maneira de entender o mundo. Ficar atento ao que nos cerca pode ser transformador. 

Pode conhecer mais sobre seu trabalho: www.CrisFranchevich.com

Em Barcelona



Barcelona . Cris Franchevich

Notre Dame . Cris Franchevich

Chicago . Cris Franchevich

Chicago 2017

MASP, São Paulo/SP . Cris Franchevich

MON, Curitiba/PR . Cris Franchevich

Ouro Preto/MG . Cris Franchevich

São Paulo 2017

Paris . Cris Franchevich
Manchester 2016


15.6.18

Caderno de Viagem Brasil 2018 - Dia VIII

25.05.2018

Na caminhada matinal habitual, desço pelos terreiro e encontro estas construções de apoio à agricultura. 



Tinha que regressar à Colónia, sobretudo depois de saber que é que vive o Sr. João, o "guardião da Tulha".
E claro, à Tulha
Depois do almoço voltei à tulha, tinha de explorar o interior. Desta vez passei a maior parte do tempo com vídeo e fotos. É um local incrível. Mas ainda houve tempo para este desenho.
Ao final da tarde a regressar a casa, deparo-me com este enquadramento. Não me apeteceu abrir a mochila para tirar as aguarelas. Ficou mesmo assim a preto e branco como eu gosto.
Depois de um dia cansativo (andar e desenhar também cansa), nada melhor que a sombra de um caramanchão, sobretudo quando se encontra implantado num jardim como este, onde a água tem uma forte presença, já que o sistema de canaletas encaminha a água da nascente a té este tanque.



13.6.18

Caderno de Viagem Brasil 2018 - Dia VII

24.05.2018
Ao fazer a caminhada matinal, depois de ter passado pelos dois terreiros superior, uma escadaria em construção chamou a minha atenção - onde vai dar? 
Fui descendo e eis que os meus olhos são atraídos por um terceiro terreiro, este mais modesto. Para além do terreiro, vislumbro uma edificação com paramento de pedra à vista. A ladear a escada, temos uma canaleta que traz a água da nascente que percorre toda a fazenda. Esta água culmina num tanque conforme desenho abaixo. Sai o primeiro desenho da manhã
Desço mais um pouco e a beleza do edifício vai ganhando proporções inesperadas. Sabe tão bem descobrir este património discreto.
O calor que se fazia sentir fez.me procurar espaços arborizados. Mas fiquei com a certeza de que voltaria aqui para conhecer um pouco mais este edifício, e se possível entrar para ver os engenhos.
Subo até à Casa com o objetivo de desenhar o interior, no entanto era dia de visita de estudo. Enquanto desenhava no jardim, alguns alunos aproximam-se e fico a saber que são alunos de arquitetura. Depois de verem o caderno e eu explicar o que ali estava a fazer, faço a pergunta habitual - "quantos desenham em cadernos ?". 2responderam afirmativamente e um deles não era aluno, mas sim professor. Enquanto tiver respostas destas vou continuar nesta luta.
Quando fico sozinho vou ouvindo o Carlos, um dos monitores da Casa, e não resisti, passei para o papel a história da Condessa, mais propriamente o seu segredo para ter chegado aos 103 anos.

A seguir ao almoço decido desenhar um dos enquadramentos mais conhecidos e retratados, já que era nesta escadaria que a família pousava para as fotos de família. 
A meio da tarde, sou convidado pela Denize e pelo Arthur a fazer uma visita guiada à Tulha, onde estava o Sr. João, acompanhado pelo seu filho também ele João, responsáveis pelo funcionamento do engenho. Ver a máquina a funcionar, a separar café, sobre a batuta do maestro João, foi uma das experiências mais marcantes desta viagem - Património material e imaterial em plena simbiose. Tirei muitas fotos, escrevi muito, conversei muito, mas não consegui desenhar.
Ao final da tarde vou à descoberta da famosa Colónia. Ao aproximar-me não resisto a fazer este registo. Amanhã voltamos à Colónia para conhecer melhor este lugar.