17.4.18

Ouro Preto, cidade muito querida pelos Urban Sketchers Brasil



Em recente enquete pesquisa realizada entre os quase 8000 membros atuais do grupo Urban Sketchers Brasil, para conhecermos os desejos de cidades para desenhar em um encontro nacional pelos uskers brasileiros... chegamos finalmente aos resultados.

RESULTADO ENQUETE FEV/MAR/ABR 2018.

1. Ouro Preto – 137 votos
2. Belo Horizonte – 53 votos
3. Rio de Janeiro – 38 votos
4. Brasília – 21 votos
5. Paraty – 15 votos
5. Florianópolis – 15 votos
7. Fortaleza – 13 votos
8. Olinda – 11 votos
9. João Pessoa – 10 votos
9. São Luiz – 10 votos
11. Caicó – 9 votos
12. Belém – 7 votos
12. Natal - 7 votos
14. Porto Alegre – 6 votos
15. Santos – 5 votos
15. Londrina – 5 votos
17. Goiânia - 4 votos
17. Ribeirão Preto – 4 votos
19. Maringá – 3 votos
19. Curitiba – 3 votos
19. São João del Rey – 3 votos
19. Maceió – 3 votos
19. Campinas – 3 votos
24. Vitória, Manaus e Recife, com 2 votos.
27. Santo André, Limeira, Joinville, Aracajú, Mogi das Cruzes, Goiás, Inhotim e Feira de Santana... com 1 voto.


Agradecemos desde já os números alcançados!

- Lembrando 1: que esta pesquisa não vale oficialmente como a cidade sede escolhida para sediar o #4 Encontro USk Brasil 2019. A enquete ofical será decidida no Fórum Nacional de Administradores de grupos regionais e locais de USk. E, só depois que as Comissões Organizadoras se predisporem a sediar, se candidatar e se comprometer a organizar o evento... aí sim, poderá ser deflagrada a votação oficial.

- Lembrando 2: que várias cidades votadas não possuem grupos de USk locais.

Att.: Comissão Organizadora dos USk Brasil.

9.4.18

26º Encontro USK Fortaleza - Edifício Granville



Texto: Fabrício Porto

Fortaleza é plana. É a observação irrecorrível que qualquer visitante vindo de cidades escarpadas faz ao transitar pela capital cearense. Erguida sobre um tabuleiro litorâneo e com elevação média de aproximadamente 20m acima do nível do mar, Fortaleza não é uma cidade em que um desenhista, ao representá-la, sobreponha camadas e camadas de horizontes, como se faria em um desenho do Rio de Janeiro ou de Lisboa. Temos o construído diante de nossos olhos e o céu logo atrás. Sensível exceção temos na Volta da Jurema, espaço histórico do município à beira-mar e palco do 26º encontro do Urban Sketchers Fortaleza, ocorrido em março.

Rabiscaram, os sketchers fortalezenses, numa manhã ensolarada - algo não tão recorrente nos meses iniciais do ano - a paisagem atual da Volta. O frescor da maré vizinha não foi páreo para o abrasador sol da manhã alencarina, transcorrendo tudo sob o vibrante calor habitual. De onde se reuniram os desenhistas, vê-se, talvez, o mais expressivo aclive da cidade. A subida da Volta é daquelas em que o motorista passa a primeira marcha para que o carro vença a gravidade. Pela calçada, atletas e coopistas sobem e descem a curta e íngreme ladeira para potencializar seus exercícios. Há também o antigo morro do Granville, ora convertido em Jardim Japonês, uma quadra pública de transição entre o nível do mar e o platô urbano.

No passado, o morro do Granville foi palco democrático de encontro da juventude local e espaço vistoso do circuito litorâneo, um morrete verde subindo rumo a uma construção de geometria audaz, a lhe coroar no topo. A geometria é o emblemático edifício Granville, projeto do arquiteto carioca - e radicado no Recife - Acácio Gil Borsoi (1924 - 2009), que assina muitas das arquiteturas visualmente reconhecíveis da cidade. Prova disto esteve diante dos desenhistas na ocasião: um majestoso bloco de concreto com entalhes precisos e sacadas dançantes que estão em praticamente todos os desenhos do encontro por dominar a paisagem.

A crítica à implantação de um jardim japonês - projeto encabeçado pela Prefeitura de Fortaleza - no morro do Granville, abandonado com o tempo como ponto de encontro, é inevitável, tanto pelo tema quanto pelo resultado. Jardins japoneses pelo mundo tem amplidão e contexto. Em Fortaleza, é de dimensões bastante reduzidas, demasiado cenográfico e não guarda relação com qualquer corrente migratória ou comunidade nipônica, inexistente na cidade. Um saudoso sketcher na casa dos quarenta restituiu, no desenho, a forma antiga do morro tal como ainda permanece em suas reminiscências juvenis. Os mais jovens foram fiéis ao que está posto, talvez sentindo um estranho aroma de estrangeirismo cênico deslocado no espaço.

O resto da história desta manhã de encontro e troca de experiências artísticas e percepções urbanas e culturais está narrado nos registros fotográficos que seguem. O USk Fortaleza segue firme com sua proposta de ocupar a cidade mensalmente com um grupo crescente e ativo, curioso por descobrir e representar este palco de belezas naturais em conflito com contradições urbanas, pouquinho abaixo do equador e debruçado para o atlântico.
















16.3.18

Resenha: A CARICATURA DA ARQUITETURA


Resenha do livro: TAYLOR, Simon – A caricatura da arquitetura. 1ª edição. Curitiba/PR: CtrlS Comunicação, 2017. 120p.



A Caricatura da Arquitetura não é um livro para arquitet@s mal humorad@s. É uma delícia de menu sobre os lindos passeios divertidos e viagens do designer Simon Taylor. É um cardápio variado sobre a alma, captura dos genius loci, os espíritos dos lugares, dos edifícios, das cenas urbanas e seus curiosíssimos personagens.

Depois dos hilários e super criativos “Meus Cases de Sucesso: Gente que brilha, segundo Simon Taylor”, da mesma editora, Simon se superou com essa publicação já lançada em diversas cidades e eventos.


Aparentemente sem esforços, esse seu sketchbook de incrível qualidade técnica e estética nos (re)apresenta a seleção de alguns dos seus melhores desenhos de locação.

Eis o show de Simon Taylor!

 


Com um set list divido em três atos: AQUI, ALI e EM TODO LUGAR, a apresentação continua...

AQUI, bem aqui..., o primeiro set de desenhos, naturalmente nos mostra a(s) Curitiba(s) despojada(s) de ambiências em tons frios, mas regados de calorosas matizes contidas nas amizades, do amor familiar, e dos contínuos “causos” que povoam o imaginário urbano. Para @s senhor@s arquitet@s mais saf@s, os croquis jingados nos permitem ver as desconstruções/deformações que a contemporaneidade insiste em nos empurrar como “star system” internacional... mas que nos fólios multicoloridos de Simon, beiram ao surrealismo e à tragicomédia. Perceptos já notados e com ecos em algumas representações posteriores, embora sem as devidas citações.



Nessas páginas as torres se entortam, se encurvam, nos abençoam, casas se suspendem e nos permitem ver os seus alicerces, quase voam, casinhas de madeira nos revelam os perfumes e as texturas das suas memórias/lembranças, e estes desenhos nos desafiam e ao mesmo nos convidam a relaxar e comer um cachorro quente, apreciar um café ou bebericar uma boa cerveja caseira.

Simon Taylor

ALI, bem ali..., o segundo set de sketches, encontramos algumas das cidades brasileiras mais amadas pelo autor. Também as suas pesquisas sobre a estética, arquitetura e o tecido urbano colonial e modernista. Cidades de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina estruturam o lote de composições.

Enfim, EM TODO LUGAR..., qualquer um mesmo, complementando a trilogia do portfólio, encontramos lembranças da França, Inglaterra, Uruguai, Argentina e Portugal. 




A ordem e subdivisão é um bom pretexto para a organização e tem o seu por que. Todavia, é um livro também interessante para ser aberto “ao acaso” em qualquer página. Viajar com o Simon. É um livreto bom para ser lido/olhado / fruído, ouvindo suas canções preferidas... ou as que o leitor desejar e escolher para se conectar com o bom astral contido no despojamento e sensibilidade em que as ilustrações nos são apresentadas. Leia/olhe ouvindo Beatles, Stones, Bowie ou Led Zeppelin... ou mesmo ouça com as suas próprias conexões – Clube da Esquina, por exemplo, ao ver as suas imagens das Gerais...

Aguardo com ansiedade uma nova 2ª edição com CD em anexo.

André Lissonger*

(...)


* André Lissonger é arquiteto urbanista. Membro dos grupos USk Brasil e USk Salvador. Professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia. Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Conservação e Restauro do Patrimônio Histórico.




7.3.18

25º Encontro USK Fortaleza - Praça do Ferreira

Texto: Fabrício Porto e Marcos Bandeira

No último sábado de fevereiro, dia 24, realizamos o nosso 25º Encontro USK Fortaleza. O local escolhido foi a icônica Praça do Ferreira, localizada no centro histórico de nossa capital. Tivemos a participação de 14 sketchers, que tentaram, dentro do possível, registrar edifícios, espaços urbanos e personagens do local. O relógio da hora, marco simbólico do espaço, aparece em vários registros por sua centralidade e protagonismo, sendo um evidente elemento vertical em um tabuleiro de pequenas árvores, bancos de praça, banquinhas de jornal e elementos do tipo. De igual importância, o Cine São Luís, defronte ao relógio da hora e testemunha de uma época de ouro da cidade, também foi parar nos cadernos e folhas dos sketchers, com toda sua pompa, seu mármore, seus lustres e sua atmosfera classuda. Registramos neste dia alguns pergaminhos de nossa história construída.

A prática co-relata ao sketch urbano, a de sentir a cidade e sua atmosfera, deu-se também de forma clara: dentre vários problemas de ordem urbanística e social percebíveis a olho nu, foi inevitável sentir o abandono desta praça no que diz respeito às políticas de segurança pública. Ocorreram situações de constrangimento e ameaça de agressão sem que houvesse nas imediações nenhum policiamento visível para quaisquer providências. Mas o grande vigia da paz é um povo que ocupa seus espaços públicos de forma tolerante, democrática e vigorosa. O que conferiu real sensação de segurança foi, em dado momento, uma batalha de MC´s que ocuparam provisoriamente a praça, com suas aparelhagens de som e sua irreverente estética verbal e paramentária. Na prática, é esta ocupação legítima de manifestações artísticas, comerciais e culturais o que confere segurança de fato, de uma forma mais civilizada que presença - e neste caso, ausência - de policiamento.

No momento da batalha dos Mc´s, alguns sketchers saíram do foyer do Cine São Luís para novamente rabiscar a praça, inclusive os cantores e seu público. Porém, o cair da tarde foi revelando aos poucos outro grave problema social que tem a praça como palco: a moradia na rua. Com o fechamento dos comércios e o paulatino esvaziamento do espaço, moradores de rua foram se achegando àquilo que ainda podem chamar de casa, as marquises das lojas, os bancos da praça e as árvores. Algumas obviedades, que nos passam batidas e que são meros conceitos vagos no discurso político, afloram em atividades como o sketch urbano, que tem como natureza a presença e a observação: primeiro, que deve o estado estimular vigorosamente a ocupação dos espaços públicos com arte, feiras, exposições e toda sorte de manifestações culturais próprias ou interessantes àquela sociedade; e segundo, que deve o poder público se penitenciar de sua omissão nas políticas de assistência social através de um programa que restitua dignidade à populações que tem a rua como lugar único de moradia.

É isso, caros sketchers. Vejam os desenhos e fotos do evento.