10.1.17

TROCADOR DE ÔNIBUS: A PROFISSÃO EM EXTINÇÃO, OU QUASE


 Há sempre  diversas cidades numa cidade só. Sob vários pontos de vista, ela se apresenta com diferentes perspectivas e diferentes personagens.
Nas diversas viagens que faço da casa para o trabalho e vice-versa, comecei a desenhar para passar o tempo. Dentre os temas pelos quais me interessava, a figura do trocador passou a ser uma constante.  Embora, não tenha chegado a  ser uma obsessão.

A figura do trocador, já há algum tempo, começou a desaparecer de alguns coletivos cariocas. O surgimento do sistema de  bilhete único, uma melhora na educação talvez, tem deixado o cargo menos atraente, tanto para quem contrata como para quem é contratado.  

Na sequência de desenhos, uns mais tremidos que outros, dependendo do motorista. Aqui tem alguns desenhos já apresentados na minha galeria do FLICKR mas achei importante colocá-los todos lado a lado.

My reflex on glass in a bus..
 
A PROFESSION THAT IS DISAPEARING IN RIO, OR ALMOST THERE


Everybody can discover many cities in just one city. Under different points of view, we can notice different perspectives and also, different characters on the streets. In Brazil we have a special one , the trocador. Who is? A kind of conductor, well, this is the
closest definition I have at the moment. Because I know
,at least in the USA, conductor “is a word commonly used for someone who
collects tickets or drives a train and almost never for a bus driver or bus
ticket taker"(1). But in Brazil, it is different, a man sat in front of a
turnstile inside the bus. Anyway, this activity is no longer as often as in the past, at least
in Rio.


Until today, you still can find the spot designed for this, in most of all buses. I won't start any sociological/economic discussion here about, but for me this character is part of memory of town I Love, Rio de Janeiro.


I have done these sketches while I was going to work, some of them have been already posted in my Flickr gallery (2 ). But they are here among other new ones because I think it is important to show them together.



(2)   flickr.com/franciscoleocadio


5.1.17

PARIS EN DESSIN: um ensaio sobre a imagem da arquitetura

Desenhos em guardanapo, caneta nanquim uni-pin 0.5, out 2016

Numa leitura recente de um livro de Luís Urbano intitulado “Histórias simples: textos sobre arquitetura e cinema” (2013) em que abordava o grande peso que tem a imagem da arquitetura sobre a percepção das pessoas numa cidade, falava sobre as edificações e sua carga simbólica, em que no passado, os cidadãos olhavam para uma casa e sabiam que era uma casa, olhavam para uma igreja e sabiam que se tratava de uma igreja... ou seja, a arquitetura representava aquela atividade a que se destinava. Hoje , muitos símbolos já não têm o mesmo significado.

Segundo Luís Urbano (2013,p.125): “Esse lado simbólico da arquitectura, hoje em dia, perdeu-se; as casas parecem escolas, as escolas parecem hospitais, os hospitais parecem aeroportos, os aeroportos parecem hotéis.” Embora, isso não seja o principal problema, mas sim quando as edificações são somente uma imagem sem consistência.

Caminhando pelas ruas de Paris, compreendi o que Urbano dizia, deparei-me com muitas edificações simbólicas e representativas da cultura parisiense, uma expressão arquitetônica em que a identidade sobressalta aos olhos. Essa consistência arquitetônica a que se refere pode ser percebida nessa cidade sem muito esforço. Especialmente quando você se deixa levar por ela, em que você como um simples e comum turista passa a ser um Flaneur, adentrando no mundo de Charles Baudelaire e Walter Benjamin, um flaneur como “observador da cidade”.

Deixei-me perder pelas ruas de Paris, sem mapa e sem câmera fotográfica... Nesse momento, a cidade guia você. E a arquitetura pode ser percebida em sua consistência. A carga simbólica que resulta da vivência e experiência próprias num espaço urbano ou arquitetônico fica materializada para sempre em seu pensamento.

Quando se passa por um espaço urbano como a Pirâmide do Louvre em que um único espaço duas arquiteturas distintas são exaltadas, feitas em épocas tão distantes (o principal edifício foi fundado em 1190 para ser uma fortaleza, depois virou palácio no século seguinte, muitas transformações na época de Luís XIII e Luís XIV, e em 1989 construída a pirâmide de vidro) e com tipologias tão diferentes, mas que, ao mesmo tempo, se completam tão bem, você já fica sem palavras para descrever tão enigmático espaço. A impressão que se tem agora é que, antes da Grande Pirâmide de I.M. Pei, o espaço estava incompleto.

Sketch Pirâmide Louvre, Aquarela A4, out 2016



Sketch Jd. de Tuileries, Aquarela A4, out 2016

Seguindo adiante, atraídos por uma vasta concentração de vegetação, grandes árvores num espaço aberto que parece sair de um conto de fadas, que certamente parece mais que um espaço criado para atividade turística, com crianças correndo, casais conversando, famílias e amigos sentados ao redor de uma pequena fonte, esculturas em gramados muito agradáveis, você ali não é mais um turista e parece que tem todo o tempo do mundo para sentar e apreciar a paisagem, as pessoas, a arquitetura, o espaço. Tomar um sorvete sentindo o sol no rosto, só passear sem compromisso com o relógio...

Experimentar a cidade, para mim, é o primeiro passo para se perceber onde está, para conhecer o lugar. Desenhar a cidade é o primeiro passo para se perceber como a cidade realmente é, seus espaços, seus detalhes.

Aquele Flaneur sem destino acaba sendo direcionado para determinados caminhos através dos próprios espaços urbanos. A arquitetura o leva pela mão a conhecer sua consistência e carga simbólica. Até que o tempo presente não está mais a sua frente, mas sim o passado, fazendo com que perceba o espaço como é e como foi em outros tempos.

Do Jardin de Tuileries para as margens do rio Sena, a Ponte Alexandre III surge. Uma das mais belas pontes já construídas! Cenário de filmes e objeto de conteúdos literários, ela fala por ela mesma.

Ela não apenas liga as duas margens do rio, mas arquiteturas fantásticas, como Grand Palais e Les Invalides. Seu percurso serve tanto a veículos quanto pessoas, ao turista e ao cidadão. Seu simbolismo vai além do rigor estilístico Art Nouveau, alem do valor historicista de sua construção em 1896, expressa uma conexão com o ser, também é palco de centenas de milhares de fotografias, em que de um lado surge a Torre Eiffel como ponto focal, do outro, o Museu do Louvre.

Interessante também é verificar que, a cada monumento, a cidade informa ao turista e ao cidadão dados históricos que acabam por enriquecer ainda mais seu percurso, a partir de totens que também casam imageticamente com o espaço.
Sketch detalhe Ponte Alexandre III, Aquarela A4, out 2016



Sketch totem informativo, Hidrocor, papel colorido A4, out 2016

Nesse ponto, saia correndo! Senão sua mente não vai aguentar essa cidade “irritantemente charmosa” (segundo a personagem do filme “Meia-noite em Paris”, 2012, de Woody Allen). Continue correndo, passando por toda a Avenida Champs Elysée, sem parar em nenhuma loja! Pronto, o Arco do Triunfo vai fazer você parar e perceber a linha barroca dos boulevards implantados pelo Barão Haussmann no século XIX.

Foto na Av. Champs Elysée, out 2016



Sketch Arco do Triunfo, Caneta sanguínea e hidrocor, A4, out 2016

Numa outra direção, caminhando e você se depara com a Opera Garnier, sentar num dos cafés na lateral pode-se observar a magnitude arquitetônica e ricos ornamentos daquela edificação. Faz imaginar como ele era em seu auge. Então, sua curiosidade o faz entrar e visitar o belíssimo palco de espetáculos, com o teto elaborado por Chagall.

Mas se seguir em outra direção pode apreciar edificação igualmente bela como a Catedral de Notredame, ou ainda a Sainte-Chapelle, com seus vitrais multicoloridos apontando para os céus, ou ainda caminhando mais adiante você pode se deparar com uma arquitetura totalmente mágica, numa linguagem pós-moderna com o arquiteto Frank Gehry e sua Cinemateque française.

Sketch Opera Garnier, caneta sépia, A4, out 2016


Foto do desenho em Cafe na lateral da Opera Garnier, out 2016



Sketch Cafe Garnier, Sanguinea A4, out 2016
 
Sketch Sainte-Chapelle, Aquarela A4, out 2016

Sketch Cinematheque française, Aquarela A4, out 2016
"Caminhar e observar" é o lema... desenhar e registrar suas experiências é o prazer. Quem sabe não se encontre uma edificação que seja uma coisa e pareça outra, como diz Urbano... Que tal o mercado? Um que pareça shopping Center? Les Halles!

Descrever Les Halles é uma tarefa meio impossível... você pode desenhá-lo e ver se ele pode dizer algo por si mesmo. Sim, é o encontro perfeito entre o passado e o futuro. Sentar num de seus cafés e perceber que você, no tempo presente, acaba sendo o elo que une o passado historicista das edificações de 5 ou 6 pavimentos do século XVIII a uma estrutura arquitetônica “futurista”, como saída de filmes do século XXVIII...

Paris é assim, sempre surpreendendo, um cenário de arquiteturas vivas, de todos os estilos e períodos, expressando sua carga simbólica de alta consistência, convivendo em harmonia.
Adriana Dantas desenhando Les Halles, out 2016



Sketch Les Halles, aquarela A4 duplo, out 2016





31.12.16

Praia de Itacoatiara, Niterói - RJ.

Aproveitei este pequeno recesso de final de ano para relaxar um pouco em uma das praias mais lindas de Niterói. Relembrando a infância, quando levava canetinhas para desenhar na praia. Usei canetas prismacolor sobre meu caderno de croquis, feito com folhas de papel Canson Aquarelle GF 300g. O plano A era usar aquarela, mas o calor era extremo e o vento muito forte. A tinta estava secando antes mesmo do final de cada pincelada. Os marcadores acabaram sendo mais práticos naquela condição adversa. O processo foi divertido e até que fiquei feliz com o resultado. No final de tudo, a sensação de missão cumprida e um merecido e esperado mergulho naquele mar paradisíaco.




30.12.16

Um Rio, muitos Rios

Rio de Janeiro todo mundo sabe, é uma viagem. Setembro passado estive lá. Fui a lugares diferentes e vi Rios diferentes também. Não há como não ter uma síncope de vontade de sair registrando tudo, muita coisa interessante, muita intensidade pra tudo que é lugar que a gente olha, uma doideira. Na partida em Curitiba já dei de cara com uma prancha de surf, parece que adivinhavam meu destino, corri pro caderninho pra registrar a cena. Escala em São Paulo, tudo bem, garoa vista do alto é bonita, e aquele mar cinza de prédios também é bonito visto das alturas, e dá-lhe caderninho com caneta preta, sépia e cinza.


A melhor coisa pra se aclimatar bem ao lugar que acabou de chegar, é tomar umas no bar mais agitado do local. Botafogo estava fervendo, uma festa, fui lá conferir e bater um papo animado enquanto fazia uns traços.



No CCBB estava rolando uma exposição com quadros impressionistas, nossos ancestrais, rs, não podia perder. Acabei indo duas vezes. Na primeira me distraí desenhando e tive que voltar pra olhar direito a exposição toda. Fiz uns sketches e não fui reprimido pela segurança, vai ver não tinham nenhuma orientação para gente que desenha. É um perigo esse pessoal que anda com tintas na bolsa.

Tentando reproduzir, de pé, Cézanne e Émile Bernard


Embalei com os impressionista e fiquei com o diabo na caneta, fui devorando com meu caderno as paisagens e cenas que fui vendo ao longo dos dias. Aí embaixo um trio de forró. O desenho nem ficou tão bom, mas a cara que eles fizeram quando mostrei pra eles, afe, devia ter uma foto disso. Foi demais! O trem também deu samba, principalmente pela vendedora de amendoim em cones de papel, um clássico carioca.


O metrô também estava mais diversificado naqueles dias, tinha a turistada das Paralimpíadas que trouxe para o transporte público um pessoal que não se costuma ver. Nesse desenho que ficou só no grafite, o casal mais idoso da esquerda com roupas de turistas, o casal do meio, quase fazendo sexo, ia com as pernas trançadas, e a moça à direita carregada de bolos e quitutes que me deixaram esfomeado. Que cena amigos, que cena.



O senhor turista mereceu um segundo retrato. Camisa listrada era um convite à experimentar uma linguagem de desenho que ando perseguindo. Um passageiro ao meu lado que me viu retratando o cara me diz: - mostra pra ele, acho que ele vai gostar. Recusei, minha experiência diz que isso não é legal. Se os santos dos sketchers fizerem esse encontro acontecer, beleza, é pra ser. Mas forçar, nunca!



Uma das coisas que mais me empolga são novos desafios de desenho e da aquarela. Pintar cenas noturnas é sempre empolgante, e também frustrante em muitos casos. O cenário aí desenhei num pontinha de banco da praça, único disponível. Tentei ser meio Miha Nakatami, mas como não fiquei feliz com o resultado refiz o desenho novamente, logo depois, em casa, sem o pressa anterior.


Os bairros suburbanos do Rio guardam muitos tesouros que o turismo oficial não mostra. Principalmente os bairros que são servidos pela linha do trem da Central. Marechal Hermes é um deles, a decadência geral não consegue ocultar totalmente o tempo de glória que viveu.



Ah sim, claro, fui lá na Paralimpíada gritar praqueles campeões, imperdível.



Domingão, dia de prestigiar o USK Rio no Quadrado da Urca, lugar incrível, fiz dois desenhos. O primeiro foi pro fundo da Baía da Guanabara de tão ruim que ficou. Tenho dó dos peixes e das cracas que viram aquilo. O segundo, ufa, me redimi um pouco. Talvez tenha sido a marola de maconha que esse figuraça deixou no ar que tenha me inspirado, talvez tenha sido só coincidência e a sorte, que acompanha a quem persiste.

Mas chega de conversa né. Voltei à cidade curitibana com mais um desenho de avião. Cena de aviões não são fáceis pra mim. É meio previsível o que se desenha, sei lá, tava difícil. Mas aí achei um pé e do pé surgiu o desenho. Lembrando aquele velho provérbio que diz: - putz.. esqueci. 




26.12.16

Arquitetos no interior

Resolvi reunir, assim que já tivesse algum material, todos os desenhos de obras de importantes arquitetos, uns mais conhecidos que outros, em sua atuação pelo interior paulista. Aqui vão, organizados por autores:

   Residência do Arquiteto Luiz Gastão de Castro Lima, um dos responsáveis pela implantação do curso de arquitetura da Usp São Carlos. Pode-se ver a influência de Le Corbusier, tanto pela forma da cobertura, que faz lembrar as Maisons Jaoul, quanto pelo volume dos lavabos, que lembra o livro aberto das pinturas puristas


    Do mesmo arquiteto, a Igreja Nossa Senhora de Fátima. Aqui já com influência de Frank Lloyd Wright.


   A mesma igreja, vista de outro ângulo.


    Construção comercial da Rua Episcopal, Antes casa de tintas, agora abriga um centro de treinamento. Projeto do Arquiteto Décio Tozzi


Edifício residencial Itatiaia, no centro de Campinas. Projeto de Oscar Niemeyer.


      Detalhe da fachada do edifício Itatiaia. Desenho incompleto, interrompido pela chuva.


    Centro cultural Casa do Lago, Unicamp, Campinas. Do Arquiteto Joán Villa.


    De Affonso Eduardo Reidy, o Fórum de Piracicaba. Hoje abriga um órgão estadual.



    E finalmente, esta pequena casa, construída em uma via de grande circulação, na periferia de Santa Bárbara d'Oeste, SP. Sem qualquer projeto ou conhecimento da história da arquitetura, o proprietário construiu, ele próprio, a sua casa. Algo nela me chamou a atenção à primeira vista, e decidi voltar ao local para desenhá-la. Talvez a solução arquitetônica: uma escada disposta em um volume diagonal, destacado do corpo principal e que conduz a um terraço descoberto. Do terraço, chega-se à área de lazer sob a cobertura nos fundos. Mesma disposição das Maisons gratte ciel, Frugès, em Pessac, Bordéus, projeto e construção de 1925, de autoria de Le Corbusier.

22.12.16

15º Encontro USK Fortaleza - Centro Cultural Dragão do Mar


Nesse sábado, 17/12, realizamos o 15º Encontro USK Fortaleza no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Nessa edição resolvemos fazer o encontro à tarde na tentativa de minimizar os efeitos do forte calor da nossa cidade. Achei a experiência válida embora o tempo disponível para o desenho acabe ficando reduzido. A parte boa desse horário foi o happy hour posterior ao evento com direito a cerveja com pizza. 

O local, cujo conjunto principal de edificações é projeto dos arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo, é tradicional ponto turístico além de base de encontro das noitadas de Fortaleza. O complexo, mistura de antigos sobrados com edifícios contemporâneos, nos ofereceu variados temas e diversos pontos de vista para os desenhos. As diversas rampas, passarelas e escadas serviram tanto como objetos de representação quanto como pontos de apoio para as visadas. Não faltaram também os curiosos que, entre um olhar e outro, nos abordavam com elogios e/ou alguma pergunta. Em duas oportunidades fui questionado sobre como participar do grupo. Dei as devidas orientações e espero que tenha conseguido mais dois adeptos. 

A proximidade com o Natal e os diversos compromissos com as comemorações (família, amigos, empresas etc) acabou inviabilizando a presença de vários sketchers e também fez com que outros tivessem que sair mais cedo. Apesar disso, ainda contamos com 32 participantes.

Bom! Seguem as fotos e os desenhos produzidos! Feliz Natal e um 2017 de muitos sketches para todos!!

Fotografia por Fabrício Porto





Fotografia por Fabrício Porto



Fotografia por Fabrício Porto














Fotografia por Fabrício Porto
Fotografia por Fabrício Porto

Fotografia por Fabrício Porto




Fotografia canto superior direito por Fabrício Porto