Mostrando postagens com marcador Caneta Unipin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caneta Unipin. Mostrar todas as postagens

30.10.16

CONEXÕES: sketching aeroportos


“- Que perda de tempo! Todos nessa fila esperando tantas horas por nosso voo!”- disse uma senhora bem elegante que estava duas pessoas a minha frente numa fila de aeroporto para embarque.






Comecei a perceber que nos últimos tempos tenho passado muitas horas em vários aeroportos...

O aeroporto é um lugar que, bem ou mal, quase todo mundo tem sobra de tempo. Quer dizer, “sobra” tempo para atualizar conversas em redes sociais, para jogar conversa fora no café, para ver coisinhas em lojas, para andar de um lado pro outro procurando o que fazer, até para dormir, mesmo que o banco seja bem desconfortável...




Pois é, o aeroporto, seja em que cidade esteja localizado, nos oferece uma coisa: sobra de tempo. Assim, pude realizar meus sketches. E comecei a perceber também que “sobra de tempo” não é o mesmo que “perda de tempo”, como comentou aquela senhora elegante.

Esse tempo que”sobra” pode ser transformado em tempo que se “ganha”.

Ganha-se lendo aquele livro que foi comprado há meses e nem saiu da terceira página... Ganha-se mesmo lendo um livro recém-comprado na livraria do aeroporto (aquele que você sempre quis ler mas não tinha tempo sobrando...).

Ganha-se em conversas descompromissadas com amigos ou mesmo desconhecidos num café... Ganha-se ao sentar com a família que viaja junto com você e, enquanto esperam o embarque, podem idealizar aquelas tão sonhadas férias... Ganha-se também ao sentar com seu cachorrinho, bem tranquilo... E mesmo apenas observando as pessoas que passam... ou refletindo sobre a vida, saboreando aquele caputino com pão de queijo...





Ganha-se, enfim, praticando desenho com técnicas que buscam o traço rápido, desenhos de mais ou menos 20 min, representando as pessoas e seu entorno, entendendo seus movimentos, percebendo a relação de escala e proporções com o espaço construído, perspectiva, sombra, cores. Experimentar diferentes canetas numa agenda, num guardanapo, em um sketchbook...






OOps! Vou perder meu vôo!!!

Hora de parar de “ganhar tempo” para “viver” o tempo ganho! 

Até o próximo vôo.

6.5.15

Desemboque

Fiz esse desenho no Desemboque-MG no dia em que a festeira Adriana recebeu os foliões de Reis com a festa de chegada da bandeira. 

"Liderados pelo Capitão da Folia, seguem reverenciando a bandeira, carregada pelo bandeireiro. A bandeira carrega o símbolo da folia. Decorada com figuras que levam ao menino Jesus, feita geralmente de tecido, é enfeitada com fitas e flores de plástico, tecido ou papel, sempre costuradas ou presas com alfinete, nunca amarradas com nós cegos, para segundo a crença não “amarrar” os foliões ou atrapalhar a caminhada." (http://www.infoescola.com/datas-comemorativas/folia-de-reis/)

A Igreja Nossa Senhora do Desterro foi construída em 1762.

O texto abaixo do desenho é do poeta Berto Cerchi

1.7.14

Cidade Líder

Cidade Líder, extremo leste de São Paulo. É andar. E andar... Ruas, postes e poeira. Calçadas estreitas, árvores raras aqui e ali que teimam meio curvadas. Uma região inteira ocupada sem planejamento. Ao longo dos anos foi implementada uma infraestrutura básica, mas não para todos. De sujeira as ruas estão cheias. De noite a iluminação é precária. Segundo estatísticas o risco de violência da Cidade Líder é de 28%, o quinto maior da cidade. Digo isso, pra início de conversa, para não dizerem que sou romântico e estou sendo condescendente com a minha quebrada, mas também tenho boas palavras pra essas beiradas escondidas.
Rua Quinta da Magnólia / Rua Valença do Minho - Jardim Brasília (27/01/2014)

Por aqui, giro com meu diário gráfico e canetas, recortando o cotidiano, desenhando paredes descascadas, pintadas de limo, casas mal acabadas, estacionamentos vazios, motéis baratos, postes, comércios de toda sorte, bares, cafeteiras e o que mais pintar...

Balcão da padaria Anjo da guarda - Cidade Líder (05/02/2014)

Escolher o que vai ser registrado não passa por um processo científico, a escolha se dá mais por um embrulho interno, mistura de senso estético, perspectiva, ângulos, linhas, intuição, batidas de coração, memória, muita memória... Isso se for tentar explicar o inexplicável, o que resulta em algo piegas e isso é irrelevante aqui. Não é como picar cartão, isso é tudo. Digamos que você ronda até bater com algum motivo que lhe interesse, algo que te toque no fundo. Veja bem, tem outra, por vezes sem conta, você gira, dá um puta rolê e nada lhe atraí, quando é assim não adianta empurrar com a barriga. Paciência, ué, fica para outro dia.

O material continua na mochila e você toca pra padaria pra tomar um café, comer um pão, antes de voltar ao trabalho. Noutras vezes você escolhe o local, arma o banquinho, saca as canetas, olha para a paisagem e começa a desenhar febrilmente, tudo vai fluindo, mas, espere... Por algum motivo, depois de alguns minutos, às vezes muito tempo, você percebe que o desenho não está dando certo. Como assim? Simples, não rolou, foi engano, você acha tudo uma bosta e decide abandoná-lo... Missão dada é missão cumprida? No caso de um trabalho como esse, acho que não é assim. Desenhar não se encaixa no processo de produtividade capitalista, está em outra esfera. Isso não quer dizer que foi um trabalho inútil, muito pelo contrário. Aquele desenho é como um poema que você guarda na gaveta para rever meses depois e talvez, ao revê-lo, descubra que ele não é tão mal assim. Nesse caso, paciência e disponibilidade, palavras chave. Quando se tem disponibilidade se desenha mais e melhor. Portanto, se for adentrar nesse terreno de desenhista urbano, cultivar um diário gráfico, registrar seu cotidiano ou seja lá como queira chamar essa atividade, precisa dedicar um tempo diário para tal tarefa. Meia, uma, duas horas, quatro, não importa. O que importa e se comprometer com aquela meia hora do dia, que seja, para desenvolver uma rotina de trabalho.

Rua Bilimbi / Rua Manuel Pinheiro de Albuquerque- Jardim Brasília (29/01/2014)

Avenida Waldemar Tietz - Cohab I (01/02/2014)

Gamelinha (07/05/2014)

Rua Pedro Luís de Sousa (16/06/2014)

Rua Valença do Minho - Jardim Brasília(16/06/2014)

Gamelinha (23/06/2014)

Artur Alvim (24/06/2014)

A ideia de carregar um caderno para onde quer que se vá, de desenhar nele e anotar ideias que surjam em plena área pública é muito bonita, me agrada bastante e fico contente em saber que tantas pessoas hoje em dia compartilham dessa minha paixão, aliás, um número cada vez maior, diga-se de passagem. O que essas pessoas estão fazendo? Registrando suas vidas? Tentando ver além da camada grosseira da nossa percepção comum? Registrando seu tempo? Anotando lembranças? Treinando o seu desenho? Criando arquivos de paisagens na mente? Transformando o olhar para as futuras gerações?  Certamente tudo isso e muito mais.

8.1.14

Um por dia

004 - Júlia (04/01/2014)

005 - Boteco (05/01/2014)
006 - Rua Quinta da Magnólia - Jardim Ipanema - Zona Leste (06/01/2014)

007 - Cafeteira sobre livro de Tchekhov  (07/01/2014)

008 - Rua Heitor - Centro de Itaquera  (08/01/2014)