Uma rua do bairro Jardim Brasília, distrito Cidade Líder, zona leste de São Paulo. Essa rua fica próxima ao shopping Aricanduva. O movimento é intenso e nos fins de tarde rola até mesmo um leve congestionamento. Nos últimos anos ela ganhou muitos comércios, tais como salões de beleza (de vários estilos), bares, um mercadinho, quitandas, rotisseria, pizzaria, hamburgueria, pet shop... tem de tudo mesmo. Alguns lugares tem até serviço de entrega. Sinto uma mescla de sensações quando passo por ali. As vezes parece bem acolhedor e nos dias de sol vejo beleza nas casas mau acabadas e tal, noutras parece feio, confuso, ameaçador, nada de se espantar, afinal estamos em São Paulo, uma cidade de contradições extremas.
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21.10.14
1.10.14
Encruzilhada
Rua Erva Mularinha - Jardim Marília - São Paulo - SP (25/09/2014)
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Deu que esses dias cometi este desenho de uma encruzilhada. Nela você pode escolher em qual rua entrar, vai depender do seu caminho. Jardim Marília é para cima, Brasília para baixo, Parque Savoy City descendo à esquerda e de onde eu estava era à beira do caminho. Fosse 5 horas da tarde a rua estaria abarrotada de carros, mas era cedo, algumas pessoas passavam, ônibus e lotações e de vez em quando um cão vadio. As calçadas são meio sujas por aqui, de modo que: esqueça o cheiro.
1.7.14
Cidade Líder
Cidade Líder, extremo leste de São Paulo. É andar. E andar... Ruas, postes e poeira. Calçadas estreitas, árvores raras aqui e ali que teimam meio curvadas. Uma região inteira ocupada sem planejamento. Ao longo dos anos foi implementada uma infraestrutura básica, mas não para todos. De sujeira as ruas estão cheias. De noite a iluminação é precária. Segundo estatísticas o risco de violência da Cidade Líder é de 28%, o quinto maior da cidade. Digo isso, pra início de conversa, para não dizerem que sou romântico e estou sendo condescendente com a minha quebrada, mas também tenho boas palavras pra essas beiradas escondidas.
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| Rua Quinta da Magnólia / Rua Valença do Minho - Jardim Brasília (27/01/2014) |
Por aqui, giro com meu diário gráfico e canetas, recortando o cotidiano, desenhando paredes descascadas, pintadas de limo, casas mal acabadas, estacionamentos vazios, motéis baratos, postes, comércios de toda sorte, bares, cafeteiras e o que mais pintar...
Escolher o que vai ser registrado não passa por um processo científico, a escolha se dá mais por um embrulho interno, mistura de senso estético, perspectiva, ângulos, linhas, intuição, batidas de coração, memória, muita memória... Isso se for tentar explicar o inexplicável, o que resulta em algo piegas e isso é irrelevante aqui. Não é como picar cartão, isso é tudo. Digamos que você ronda até bater com algum motivo que lhe interesse, algo que te toque no fundo. Veja bem, tem outra, por vezes sem conta, você gira, dá um puta rolê e nada lhe atraí, quando é assim não adianta empurrar com a barriga. Paciência, ué, fica para outro dia.
O material continua na mochila e você toca pra padaria pra tomar um café, comer um pão, antes de voltar ao trabalho. Noutras vezes você escolhe o local, arma o banquinho, saca as canetas, olha para a paisagem e começa a desenhar febrilmente, tudo vai fluindo, mas, espere... Por algum motivo, depois de alguns minutos, às vezes muito tempo, você percebe que o desenho não está dando certo. Como assim? Simples, não rolou, foi engano, você acha tudo uma bosta e decide abandoná-lo... Missão dada é missão cumprida? No caso de um trabalho como esse, acho que não é assim. Desenhar não se encaixa no processo de produtividade capitalista, está em outra esfera. Isso não quer dizer que foi um trabalho inútil, muito pelo contrário. Aquele desenho é como um poema que você guarda na gaveta para rever meses depois e talvez, ao revê-lo, descubra que ele não é tão mal assim. Nesse caso, paciência e disponibilidade, palavras chave. Quando se tem disponibilidade se desenha mais e melhor. Portanto, se for adentrar nesse terreno de desenhista urbano, cultivar um diário gráfico, registrar seu cotidiano ou seja lá como queira chamar essa atividade, precisa dedicar um tempo diário para tal tarefa. Meia, uma, duas horas, quatro, não importa. O que importa e se comprometer com aquela meia hora do dia, que seja, para desenvolver uma rotina de trabalho.
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| Rua Bilimbi / Rua Manuel Pinheiro de Albuquerque- Jardim Brasília (29/01/2014) |
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| Avenida Waldemar Tietz - Cohab I (01/02/2014) |
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| Gamelinha (07/05/2014) |
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| Rua Pedro Luís de Sousa (16/06/2014) |
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| Rua Valença do Minho - Jardim Brasília(16/06/2014) |
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| Gamelinha (23/06/2014) |
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| Artur Alvim (24/06/2014) |
A ideia de carregar um caderno para onde quer que se vá, de desenhar nele e anotar ideias que surjam em plena área pública é muito bonita, me agrada bastante e fico contente em saber que tantas pessoas hoje em dia compartilham dessa minha paixão, aliás, um número cada vez maior, diga-se de passagem. O que essas pessoas estão fazendo? Registrando suas vidas? Tentando ver além da camada grosseira da nossa percepção comum? Registrando seu tempo? Anotando lembranças? Treinando o seu desenho? Criando arquivos de paisagens na mente? Transformando o olhar para as futuras gerações? Certamente tudo isso e muito mais.
22.3.14
9.1.14
3.1.14
Diário Vagulino
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001 - Avenida Itaquera (01/01/2014)
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| 002 - Rua Conde Luís Eduardo Matarazzo (02/01/2014) |
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| 003 - Avenida Itaquera (03/01/2014) |
9.5.13
Avenida Itaquera
Avenida Itaquera. Agora a pouco. Em meio ao barulho dos carros, árvores, folhas caídas, lixo e formigas vermelhas.
21.3.13
Vila Matilde
Vila Matilde. Desenho feito hoje à tarde. Sentado num banco de praça meio úmido, eu estava meio entorpecido com a sensação de estar invisível a todos que passavam por mim. Tentei me tornar real novamente desenhando o que via à minha frente.
2.11.12
Rua Acanto
Rua Acanto. Desenho feito na semana passada. Uma ruazinha de pouco movimento, o que possibilita uma partidinha de futebol da molecada todo final de tarde.
15.10.12
Rua Firmino Morgado - Cidade Líder
Um desenho rápido feito nesse final de tarde. Eram umas 17h30 quando me sentei na calçada para desenhar. Hora em que os trabalhadores começam a voltar para o justo descanso. Logo começou a esfriar e escurecer. Dali a pouco eu também me levantei, guardei as canetas e fui embora para casa.
2.10.12
11.4.12
Desenhando e caminhando
Não tenho saído para desenhar com a frequência que gostaria, por conta dos milhões de compromissos do dia a dia, e por conta disse fico o tempo todo desejando poder sair para caminhar e desenhar. Andar sem rumo pelo bairro em busca de um tema que me agrade, um ângulo, uma casa exótica ou até um simples poste atulhado de fios elétricos, gosto muito de fazer isso. Semana passada cansei de esperar um tempo livre e acordei 6 da manhã para conseguir dar uma volta de pelo menos 1 ou 2 horas, foi bom, ao menos consegui fazer este desenho acima. A rua estava tranquila, uma ou outra pessoa passava, um ou outro cachorro... Silêncio raro.
8.3.12
Escadão
Meu bairro é cheio de escadarias. Esta escada, do desenho, liga minha rua à praça Manuel Bonfim Fernandes, onde na sexta-feira, tem uma feira livre.
19.12.11
Minha rua
Aí está mais um desenho da minha rua, feito do portão da minha casa. Uma paisagem comum aos meus olhos, mas que está sempre mudando conforme paro para observar de verdade.
Como escreveu o velho escritor russo:
"Se queres ser universal, começa por falar da tua aldeia."
Leon Tolstoi
10.11.11
Figueira da Barbária

Rua Figueira da Barbária. Minha rua. O comecinho dela. Fiquei sentado desenhando e conversando com um monte de gente que passava. Um senhor, vizinho, me disse que gostava muito de pintar quando era jovem, mas, por conta das correrias da vida, em algum momento teve que parar pra trabalhar. Essas coisas da vida. Falei para ele voltar a desenhar agora, já que está aposentado, mas ele disse que tem "preguiça".
3.11.11
Arquitetura do improviso
Arquitetura do improviso são essas casas da periferia que vão crescendo desordenadamente como um organismo vivo, sem planejamento. Os moradores simplesmente vão esticando, puxando, remendando do jeito que dá e conforme o dinheiro aparece. Compram o material, convidam um amigo ou parente que manja de construção e mandam ver.
16.9.11
Rua Erva Mularinha
Acho legal desenhar aqui perto de casa. Na rua fico revendo os lugares e remontando acontecimentos passados. "Pintaram um muro, derrubaram uma casa, cadê aquela árvore que tinha aqui, aquele bar mudou de dono...", vou andando e pensando, remembrando. Gosto de usar a palavra remembrança para falar disso, o ato de remembrar, recordar. Sei lá, fica parecendo que você está remendando uma colcha de retalhos, ligando pontos de saudade na cabeça, tudo através do desenho. Desenhar nos dá a possibilidade de parar e refletir, de ver a paisagem, de ver o mundo fora da casa de máquinas, ver como é lá fora.
Uma curiosidade dessa rua é que, das pessoas que vem me pedir informação, sobre alguma rua daqui, 90% perguntam onde fica a tal "Rua Erva Mularinha". Sempre passei por ela, mas só fui descobrir que esta era a tal rua tão procurada quando sentei na calçada para desenhá-la.
Meu amigo Jeosafá escreveu um poeminha, no comentário de uma postagem do meu blog, no ano passado, que tinha o título de Remembrança, e eu achei bonito, por isso peço licença a ele para postar aqui novamente:
"O traço captou a melancolia
Que não sei se está no bairro
No traço
Ou nos olhos
De quem via "
Que não sei se está no bairro
No traço
Ou nos olhos
De quem via "
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