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4.9.18

Ilha das Berlengas - manhã

No passado domingo, dia 2 de setembro, eu, a Lurdes Morais, o António Procópio e o Bruno Vieira fomos desenhar as Berlengas a convite do ICNF, no âmbito das comemorações do 37º aniversário da Reserva Natural daquela ilha de Peniche. Tivemos uma baixa de peso, o Filipe Reis Oliveira, que teve um imprevisto de última hora.
Aproveito para agradecer aos meus companheiros de viagem, sobretudo à Lurdes pelo convite e oportunidade de revisitar as Berlengas com outros olhos. Confesso que desde a juventude fui várias vezes às Berlengas, mas nunca com este olhar.


Saímos cedo de Peniche, e logo percebemos que teríamos companhia - o nevoeiro. Quem nos transportou de barco, foi o Eduardo Mourato, vigilante da Natureza do ICNF.  Quando chegámos, ainda não se fazia sentir o reboliço dos turistas. Estava tudo calmo, apenas os pescadores e alguns turistas que ali estavam acampados. Comecei este desenho no bar do bairro dos pescadores, enquanto esperávamos pelos membros da equipa do projecto LIFE Berlengas  que nos levaram a conhecer a Colónia de Cagarras. Tive de concluí-lo em casa, um pouco de memória.

Quando começamos a caminhar percebi que teria de mudar a estratégia de desenho. Não haveria grandes paragens que permitissem um desenho mais demorado - Troquei de caderno, mais pequeno, mais fácil de transportar - os desenhos tiveram que passar a ser mais rápidos e sintéticos, capazes de se associarem a alguns apontamentos escritos, fruto das explicações que íamos ouvindo.

A primeira paragem foi a colónia de Cagarras ou Pardela do Atlântico.


No meio da paisagem natural existem algumas construções de apoio ao funcionamento desta reserva, como a casa do gerador que encontramos no desenho que se segue.


Tivemos o privilégio de aceder a espaços que em condições normais jamais poderíamos conhecer. O contacto com as crias de Cagarras, foi uma experiência única. Os desenhos seguintes foram feitos junto ao ninho 99, o chamado "ninho ao vivo", já que tem uma câmara que transmite em directo a real a evolução da cria.


Seguimos caminho, agora guiados pela Lurdes Morais, técnica da Reserva Natural das Berlengas. Ganhámos um novo companheiro de viagem - o Farol, um elemento referencial sempre presente na paisagem. Acabei por desenhá-lo em variadas perspectivas.


Uns metros à frente parámos para conhecer melhor o ilhéu da velha, cuja denominação se deve ao facto de se encontrar na chamada "Ilha Velha".


Próxima paragem - Pesqueiro das Buzinas.


Mais uns metros e lá está novamente o Farol.


A hora de almoço aproxima-se e de repente o caminho rumo ao Farol, enche-se de turistas com carros de bebés e geleiras. Lá em baixo avistamos os barcos a chegarem carregadinhos de turistas. Um pouco mais acima encontramos o parque de campismo.

Ao aproximarmo-nos do Farol Duque de Bragança, começamos a perceber melhor a morfologia das construções adjacentes, que servem de apoio aos faroleiros, aos vigilantes e investigadores.


O facto de ir desenhando enquanto andava, permitiu-me fazer um elevado numero de desenhos. Por essa razão, publico apenas os desenhos da manhã. Numa próxima publicação partilharei os desenhos da tarde. Podem ser fracos, estes são os desenhos que mais gosto de fazer. Na sua maioria, a cor surgiu apenas em casa. Apesar da sua simplicidade, deram-me imenso prazer e além disso permitiram-me fazer a reportagem desenhada da nossa "expedição".

Podem ver mais fotografias neste álbum. 

Nota: Qualquer erro ou imprecisão que possam encontrar nos textos, é da minha inteira responsabilidade. Certamente as informações facultadas pelos vigilantes ou pela Lurdes foram transmitidas de forma correcta, mas nem sempre é fácil, ouvir, escrever e desenhar ao mesmo tempo.



2.7.18

Lojas Históricas em Lisboa

Livro Lojas Históricas em Lisboa. Já está disponível. O meu modesto contributo para a defesa e preservação do comércio tradicional da capital. Obrigado à Zest, pelo convite para integrar o projeto.







Uma dupla página partilhada com a minha querida amiga Helena Monteiro, a mundialmente famosa "Senhora das árvores"




13.6.18

Caderno de Viagem Brasil 2018 - Dia VII

24.05.2018
Ao fazer a caminhada matinal, depois de ter passado pelos dois terreiros superior, uma escadaria em construção chamou a minha atenção - onde vai dar? 
Fui descendo e eis que os meus olhos são atraídos por um terceiro terreiro, este mais modesto. Para além do terreiro, vislumbro uma edificação com paramento de pedra à vista. A ladear a escada, temos uma canaleta que traz a água da nascente que percorre toda a fazenda. Esta água culmina num tanque conforme desenho abaixo. Sai o primeiro desenho da manhã
Desço mais um pouco e a beleza do edifício vai ganhando proporções inesperadas. Sabe tão bem descobrir este património discreto.
O calor que se fazia sentir fez.me procurar espaços arborizados. Mas fiquei com a certeza de que voltaria aqui para conhecer um pouco mais este edifício, e se possível entrar para ver os engenhos.
Subo até à Casa com o objetivo de desenhar o interior, no entanto era dia de visita de estudo. Enquanto desenhava no jardim, alguns alunos aproximam-se e fico a saber que são alunos de arquitetura. Depois de verem o caderno e eu explicar o que ali estava a fazer, faço a pergunta habitual - "quantos desenham em cadernos ?". 2responderam afirmativamente e um deles não era aluno, mas sim professor. Enquanto tiver respostas destas vou continuar nesta luta.
Quando fico sozinho vou ouvindo o Carlos, um dos monitores da Casa, e não resisti, passei para o papel a história da Condessa, mais propriamente o seu segredo para ter chegado aos 103 anos.

A seguir ao almoço decido desenhar um dos enquadramentos mais conhecidos e retratados, já que era nesta escadaria que a família pousava para as fotos de família. 
A meio da tarde, sou convidado pela Denize e pelo Arthur a fazer uma visita guiada à Tulha, onde estava o Sr. João, acompanhado pelo seu filho também ele João, responsáveis pelo funcionamento do engenho. Ver a máquina a funcionar, a separar café, sobre a batuta do maestro João, foi uma das experiências mais marcantes desta viagem - Património material e imaterial em plena simbiose. Tirei muitas fotos, escrevi muito, conversei muito, mas não consegui desenhar.
Ao final da tarde vou à descoberta da famosa Colónia. Ao aproximar-me não resisto a fazer este registo. Amanhã voltamos à Colónia para conhecer melhor este lugar.