20.7.15

Impressionistas contemporâneos no Jardim Botânico (ou USK Curitiba #4)

Foto: Davi Cavalheiro

Domingo na Ilha da Grande Jatte, Georges Seurat. 1884

A criação da bisnaga de tintas pelos holandeses, na época do Impressionismo, viabilizou que os artistas fossem para a rua pintar. Os desenhadores passaram a registrar o cotidiano urbano in loco. Cafés, cabarés, parques, ruas, estações. Concentraram-se na captura das diferentes atmosferas do dia, influenciados pela nebulosidade e luminosidade.
Este quadro de Georges Seurat – “Uma Tarde de Domingo na Ilha de La Grande Jatte” representa muito bem isso. A ambiência urbana, com seus transeuntes e roupas típicas. Na cena, inclusive, o rapaz que segura o cachimbo, o faz na mesma posição que alguém hoje manda um SMS, bate uma selfie ou conversa no celular.
É muito curioso comparar esta cena com nossas experiências urban sketchers e croquizeiras, mergulhados nas reuniões citadinas.
Neste final de semana voltamos ao Jardim Botânico – um parque solarizado e colorido de flores. Turistas, músicos, curtidores, atletas, namorados, pais, vikings [!]. Verdadeiro desfile de estampas e objetos habituais. Bonés, bolsas, tênis, carrinhos de bebês, bolas, celulares, bicicletas, moletons.
O costume parece o mesmo da época dos brothers Seurat, Renoir, Monet, Degas – preencher os gramados, entre as árvores, sentar na grama, conversar com amigos, contemplar a luminosidade dos lagos e desenhar.
Pitoresco imaginar os impressionistas desenhando incólumes entre os citadinos, pintando quadros que se transformaram no registro mais potente de uma época. Potentes porque preservam, dentro de cada imagem estática, milhares de cenas não fotografadas.  E o mais irônico disso tudo é que o pontilhismo do Seurat inspirou a criação da televisão, prensa e imagens digitais mais tarde.

(Fabiano Vianna, 19/07/15)

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Francisca Cury

Foto: Francisca Cury

Foto: Francisca Cury

*Antes de pintar a tela, Seurat realizou cerca de 23 esboços e 38 telas preliminares. Durante seis meses, foi todos os dias à Ilha de La Grande Jatte, pintando a paisagem nos dias de menor movimento e as figuras humanas nos finais de semana e feriados.
Seurat demorou um ano para pintar a obra, e outro ano para repintar sobre o quadro, cobrindo-a inteiramente com minúsculas pinceladas.

2 comentários:

  1. Esse post está fantástico! Leve e solto como uma bela manhã em um parque.

    ResponderExcluir