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25.11.16

Retrospectiva Urban Sketchers Curitiba

Foto: Ari Lopes da Rosa

Inauguramos ontem uma exposição de retrospectiva de trabalhos do grupo Urban Sketchers Curitiba, na Gibiteca – Solar do Barão. Neste lindo espaço cultural, construído em 1880, para servir de residência ao ervateiro Ildefonso Pereira Correia – o Barão do Serro Azul, estão reunidas importantes unidades da Fundação Cultural de Curitiba, relacionadas às artes gráficas: o Museu da Fotografia, o Museu da Gravura, o Museu do Cartaz e a Gibiteca. A sala é linda e possui além de um espaço amplo expressivo, mesas de vidro onde pudemos expor materiais, sketchbooks, originais, livros e cartazes. É como se as obras da parede espelhassem o modus operandi e as almas de cada artista preservadas sob o vidro. A exposição segue aberta até dia 28/2/17. Visitem e convidem seus amigos! O endereço fica na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 – Centro.  

Foto: Washington Takeuchi

Foto: Rogério Shibata


Foto: Fabiano Vianna

Simon Taylor

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Urban sketchers são criaturas bem estranhas. Aparecem de repente, de todos os cantos da cidade. Munidos de aquarelas, marcadores, canetas, penais, pincéis, cadeiras de praia, bancos dobráveis. Com objetos estranhos e motivações curiosas – desenhar tudo o que veem.
Invadem as praças e sítios urbanos. Surgem acompanhados de fotógrafos igualmente estranhos.
Ao anoitecer, voltam para suas casas com seus sketchbooks lotados de desenhos. Satisfeitos como pescadores – com samburá cheio de peixe.

Foto: Fabiano Vianna


Alguns passam os dias da semana retocando as paisagens. Uma pincelada aqui e outra acolá.
E somente quando reveem as aquarelas é que realmente aproveitam as cenas desenhadas.
Como se o real só pudesse ter acontecido se foi desenhado.
O desenho é a prova que esteve e vivenciou os fatos.
Fazer um sketch (assim como a fotografia), é de certa forma se apropriar dos instantes. Capturar o tempo. Mas não é como a fotografia. Cada fotografia guarda em si minúsculos milésimos de segundos e dentro de cada sketch dormem centenas de fotografias.
Os uskers (como costumamos chamar) levam para suas casas a cidade na forma de sketches estáticos congelados.
Mas alguns detalhes os desenhos não conseguem enlaçar: as conversas sobre materiais e pincéis, os causos de viagem, as experiências com “uskers” de outras cidades, as histórias dos amigos fotógrafos, as preferências gráficas e descobertas novas...
O Urban Sketchers Curitiba surgiu em Junho de 2015 – totalmente conectado ao movimento dos desenhistas de rua, que em diversas partes do globo, empenham-se em capturar a vida das cidades.

Foto: Fabiano Vianna

Foram 75 encontros semanais (até agora) com centenas de desenhos fantásticos. Desde lugares tradicionais como – MON, Jardim Botânico, Rua XV de Novembro, Rua 24 Horas, Solar do Rosário a outros inusitados como – uma fábrica de aviões no Bigorrilho, ensaio da Orquestra Sinfônica do Paraná, Templo da Ordem Rosa Cruz, uma casa de madeira atrás da moita protegida por rasantes de andorinhas de porcelana, casas portuguesas temperadas com traços de Lolô Cornelsen, um templo de Musas Pitagóricas invisíveis, o ensaio de um balé fugaz, o escritório de um arquiteto renomado, uma casa de lambrequins de ovelhas sem ovelhas, um antigo moinho ocupado, uma remota fábrica de fitas dominada por trepadeiras, a casa-museu de Vilanova Artigas...




Fotos: Washington Takeuchi

Dizem que cada cidade possui uma luz, nebulosidade e atmosfera própria. Se isso for verdade, cada uma possui seus urban sketchers únicos. E dentro de cada um, uma infinidade de paletas, técnicas, pontos de vista, nasceres de sol, chuvas, lembranças e criaturas.
Urban sketchers são criaturas bem... 

(Fabiano Vianna, 24/11/16)

30.10.16

Conheça os correspondentes: Francis Iwamura, de Curitiba/PR


Com certeza o maior incentivo para as artes surgiu em casa, minha mãe, professora do Centro Juvenil de Artes Plásticas, sempre me incentivou a frequentá-lo, e desde cedo minhas escolhas foram por aulas de desenho. 

Na adolescência, frequentava aulas regulares de gravura, pintura e desenho livre, e nessa mesma época também fiz parte de um grupo de grafiteiros chamado Conscientes.

Aos 16 anos comecei a trabalhar em uma agência de publicidade, onde elaborava ilustrações e logomarcas. Com quase 18 anos, trabalhei como office boy em um escritório de arquitetura, e lá conheci tudo o que envolve o trabalho de um arquiteto. Logo me identifiquei com a profissão, e mais tarde cursei Arquitetura e Urbanismo na Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC PR, me formando em 2007.


Dalton Trevisan

Na faculdade ministrei, por três anos consecutivos, um curso semestral chamado "Croqui", e durante as Semanas Acadêmicas de Arquitetura promovia, em companhia do meu amigo e designer Tyler Johnson, as oficinas de "Desenho Experimental I, II e III. 


Coletivo das Nuvens

Tyler foi o organizador do primeiro Sketchcrawl aqui em Curitiba, e foi quem me apresentou ao movimento de Urban Sketchers pelo mundo.




Talvez por ser curitibano, a vergonha de desenhar sozinho pelas ruas da minha cidade me acompanhava, mas isso desaparecia nos sketchbooks de viagens, já que nessas ocasiões conseguia retratar tudo o que via sem nenhum pudor.


Igreja do Portão

Isso mudou em um curso de fotografia, quando fui convidado a cobrir o evento do grupo Croquis Urbanos Curitiba. Sem pensar duas vezes levei a câmera e o sketchbook, e confesso que desenhei mais do que fotografei. 


Jardim Botânico

A partir dai, passei a participar dos encontros e acompanhar o grupo. Conheci outras pessoas com os mesmos interesses, e tive a oportunidade de desenhar e redescobrir vários lugares da cidade. Essa paixão só aumenta, e hoje é um prazer quase diário.

Paço da Liberdade

No começo do ano (2016) participei do 1º Encontro de Urban Sketchers do Brasil, realizado aqui em Curitiba, e tive a imensa satisfação de conhecer pessoalmente muitos croquiseiros que admirava pelas redes sociais do USK. Esse encontro, além de celebrar a paixão pelo desenho urbano, também confirmou a sensação de pertencer a uma grande família.

Francis Camargo Iwamura


Sanepar




Solar do Barão

29.7.16

Diário de viagem #7 - Belo Horizonte, Ouro Preto e Tiradentes/MG

Na tentativa de recuperar o tempo perdido, me toquei de um pecado mortal: ainda não tinha postado nenhum dos meus desenhos da viagem a Minas do começo do ano.
O único problema é a concorrência, pois meu amigo e xará Fernando Simon acabou de postar os desenhos maravilhosos que fez seguindo a Estrada Real. Mas, vou encarar assim mesmo! kkkkkkk

A história dessa, que talvez tenha sido a melhor viagem da minha vida, começa no café da manhã do primeiro dia desse ano. Conversava com minha Shellinha (pra que não sabe é a Kelly, minha amiga, minha mina, minha namorada, também conhecida como esposa) sobre quando seria uma boa data para viajar. Falei de uma ideia que o bro Thiago Salcedo tinha me contado sobre uma aventura pelas cidades históricas de Minas. Boa ideia! Como só teríamos mais uma semana de recesso, a Shelly falou que a hora era agora. Falei que era loucura, pois as passagens encima da hora seriam caras demais. Ela foi fazer umas pesquisas de preço e.... bom, em resumo: às 20h30 do mesmo dia estávamos embarcando rumo a Belo Horizonte! Eita, loucura boa!!!!! kkkkkk

No espaço de uma semana, descobrimos as belezas de Belo Horizonte, Ouro Preto (a que mais gostei), Tiradentes e, pra fechar, Inhotim (Brumadinho).

Não tenho palavras pra descrever como gostei de tudo. Então, vamos aos desenhos:

Dia 01, Pampulha. Foi emocionante conferir de perto tanta arte num só lugar. Niemeyer, Portinari... Porém, de todos os desenhos da viagem, esse foi o único que não me agradou. Ficou bem fraquinho.... mas vale como registro!

Praça da Liberdade, ponto central de BH. Eu, cercado de construções inacreditáveis. Foi difícil escolher qual delas desenhar, mas foram essas aí! Nesse dia, nada de aquarela, apenas marcadores.

Chegando em Ouro Preto, desenhei e conheci o Museu da Inconfidência. No finalzinho, começou a chover, então deixei a cor pra depois. Pois é....

Parada estratégica pro almoço ainda em Ouro Preto. Não podia deixar de retratar minhas muié!

Aqui, provavelmente o meu sketch preferido de todos os tempos. Um dos momentos mais mágicos e tranquilos da minha vida, sozinho, curtindo o pôr do Sol de Ouro Preto. Quero voltar!

Pra fechar, um registro de Tiradentes, onde encontramos com a amiga e sketcher Debora Cicciola, e desenhamos juntos esse ponto aí. Delícia de manhã! Ainda rolou Inhotim, mas como só tínhamos uma única manhã, preferi olhar do que desenhar. Mas que fiquei na vontade, isso fiquei!

5.7.16

Conheça os Correspondentes: André Coelho, de Curitiba - PR

André Coelho

Sou designer, artista visual e ator curitibano (1979).

A minha relação com o desenho e com a cidade vem desde criança. Filho de um pai arquiteto e urbanista que teve e tem um importante papel na identidade de Curitiba desde a década de 70; de uma mãe ceramista com quem absorvi delicadeza e sensibilidade estética; e irmãos cineasta e músico, os quais são parceiros em diversos projetos. A arte estava no dia a dia da minha casa, onde tive o privilégio de crescer em um ambiente repleto das mais diferentes referências. 

Me formei em Desenho Industrial - Programação Visual pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, PUC–PR (1997 – 2001). Assim que entrei na faculdade de design, comecei a atuar profissionamente no teatro e a executar estas duas funções paralelamente.


 

Em 2001, ingressei como ator/pesquisador no ACT – Ateliê de Criação Teatral, um espaço multi-área do ator Luis Melo e da atriz e produtora Nena Inoue. Este espaço foi uma importante referência artística e cultural em Curitiba. Trabalhávamos com teatro, música, dança e artes visuais; e foi um lugar fundamental para a minha formação artística e intelectual. Tive a oportunidade de viajar por todo o Brasil e de trabalhar com grandes profissionais de diversas áreas. Esta minha experiência multi artística teve sua sequência posteriormente em outros lugares como o Espaço Cênico e a companhia Cambutadefedapada!. Onde trabalhei nos anos seguintes, entre 2007 e 2011.



Como designer free lancer, sempre fiz um trabalho voltado para área cultural, na criação de projetos gráficos para teatro, cinema, áudio-visual, música, editoração, etc... e também como ilustrador. Como artista visual, desenvolvo um trabalho em desenho e pintura onde exploro linhas fluídas e formas orgânicas em diferentes tamanhos e suportes, tais como: papel, canvas, paredes e muros. Participei de diversas exposições coletivas e individuais. Tenho um espaço, em parceria com a ceramista Denise Coelho, que se chama Atelier do Coelhos. Lá desenvolvo meus projetos, promovo atividades voltadas à arte e vendo o meu acervo.





Rua São Francisco 


Meu primeiro contato com o desenho urbano foi em 2013 através do coletivo Croquis Urbanos Curitiba. Fiquei encantado com a idéia de desenhar a minha cidade toda a semana e fiquei admirado com a paixão daquelas pessoas pelo desenho e, principalmente, por estarem juntas desenhando. Me tornei um participante assíduo e ativo. E fui percebendo um crescimento considerável no meu traço e no meu olhar. Em 2015, com a criação do USK Curitiba, direcionei esta experiência com uma atenção maior aos colegas sketchers de todo o mundo. É incrível fazer parte de um movimento mundial com pessoas tão diferentes e movidas pela mesma idéia. Fui bolsista no 5th International Urban Sketching Symposium Paraty em 2014. Em 2015, participei do Encontro Internacional de Desenho de Rua em Torres Vedras (Portugal); e, em 2016, do 1o Encontro Urban Sketchers Brasil, em Curitiba. Neste último encontro tive a alegria em ter desenhos publicados no livro Sketchers do Brasil juntamente com 50 colegas de todo o país, e que teve seu lançamento durante o evento.


Croquis 3D da EMBAP


Casa Frederico Kirchgassner


Beco do Bosque . Curitiba/PR


Foto de Chico Camargo

13.3.16

Rua Ermelino de Leão, Curitiba PR


Inúmeras vezes cruzei a Rua Ermelino de Leão, essa do desenho, em Curitiba.
Algumas delas na época que tinha um escritório do Edifício Tijucas; indo e vindo da XV. Vindo ou indo pra casa.
Às vezes, no intuito de traçar uma imensa e suculenta pizza sabor queijo grossona na Pizzaria Itália. (E para beber aquela vitamina rosa também, claro).
Fiz este desenho do terraço da Casa Samambaia – projeto da brother Bruna Castro, que habita, vivencia e compartilha o espaço, na cobertura do lindo Edifício Anita.
Tantas vezes me imaginei (como a maioria dos andarilhos curitibanos do centro) morando nela. Num dos delírios mais loucos, conjecturei possuir um bicho bem exótico e pescoçudo – tipo uma lhama ou um avestruz, na área externa, para que pudesse ser visto da rua.
O espaço interno é lindo e, lá de cima é possível ver e desenhar o movimento da cidade. Os rasantes dos pássaros, o ziguezague dos pedestres, as curvas dos táxis altamente laranjas...
A Ermelino não é mais a mesma desde a época que habitei o Tijucas.
Até a luz mudou.
A cidade se modifica como o sol – e lambe as faces dos prédios da XV de maneira diferente a cada hora do dia. E de maneira diferente a cada ano.
Lembro-me de um mendigo que tomava banho na água que escorria da calha do Hotel Del Rey em dias de chuva, o som dos gritos dos chineses e japoneses jogando futebol na Praça Osório nos sábados de manhã, o som das rodinhas das aeromoças da TAM e da GOL que desciam de seus furgões na Ermelino, da algazarra dos travestis na esquina da Carlos de Carvalho...
E há quem diga que, em determinadas horas do dia, ainda é possível ouvir o saxofone do man que se apresentava gratuitamente para os citadinos – numa das janelas da parte de baixo do Tijucas, em frente ao Largo Frederico Faria de Oliveira.
Eu acredito!




Fotos de: Washington Takeuchi 

29.12.15

Conheça os Correspondentes: Raro de Oliveira de Curitiba/PR

Raro de Oliveira . Foto: Marlyn Tows
Nasci no subúrbio do Rio de Janeiro em 1968, sou carioca da gema e vivo há mais de 20 anos em Curitiba, que me seduziu numlindo dia de inverno com céu azul cerúleo. Desenhei desde sempre, quando criança fazia gibis para vender para os meus primos. No escola fazia ilustrações dos jornaizinhos e isso acabou por se consolidar como ideia de profissão. Estudei Comunicação Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ, bem numa época de transição, entre o mundo das tintas e pincéis para o advento da computação gráfica. Hans Donner, recém chegado ao Brasil, estava dando as cartas e a universidade ainda não sabia como se virar com essas novidades. Então tive uma formação mais ligada aos métodos acadêmicos, desenho anatômico, modelo vivo, coisas que hoje estão finalmente voltando a ter sentido no meu cotidiano de sketcher.

Entrei nesse movimento de desenho de rua através do convite do Simon Taylor em 2013, e fui destravando aos poucos. Havia muita coisa que não praticava a anos e outras que não havia feito nunca. Profissionalmente minha atuação tinha se concentrado no marketing e no design, a ilustração havia ficado de lado. Por hobby pintava, mas sempre de imaginação, figuras humanas, cenas inventadas, o desenho de observação que estava na alma do desenho do Urban Sketcher não era minha praia.

Casa Vila da Glória/SC . Diário de Viagem

Paisagem da Janela, no Rio de Janeiro . Diário de Viagem

Lentamente fui redescobrindo esse olhar, esse jeito de desenhar o que está ao seu redor, de produzir em curto espaço de tempo. Sempre gostei de escrever pequenas crônicas, e do mesmo modo meu traço também se orientou para esse aspecto. A paisagem e seu contexto, os sentimentos e pensamentos que tive naquele encontro, naquele lugar, com aquelas pessoas. Como não tive uma formação acadêmica de arquitetura não me prendia a representação mais naturalista das construções, e isso aos poucos tem se tornado um caráter do meu desenho e do meu diálogo com as imagens que encontro no cotidiano.

Feira, no Rio de Janeiro . Diário de Viagem

Praça Tiradentes, RJ . Diário de Viagem

No começo da minha caminhada com os desenhos de rua recolhia as imagens em folhas soltas, observava que aqui em Curitiba essa era a tendência predominantes do grupo. Mas em 2015 estive no encontro de Torres Vedras, em Portugal, e percebi com os europeus são fascinados pelos seus cadernos de desenho. A partir desse momento também optei por desenhar quase sempre em cadernos, eles me dão o sentido de continuidade e aprendizado. O espaço do caderno tem sua lógica particular, relacionando o antes e o depois, a gestualidade de virar as páginas, o ato de “se abrir” para o outro ver e assim vamos construindo uma trajetória estética.

Pausa pro Almoço . Fachada de Casa, Hugo Langue

Pausa pro Almoço . Eucalipto Real, Curitiba


Em Curitiba temos dois grupos que desenham aos sábados e domingos, mas como isso parece pouco para quem se envolve com o mundo do Urban Sketchers, também desenho na hora do almoço, com um pequeno grupo de amigos, Simon Taylor, Fabiano Vianna e Antonio Dias, que tiram um tempinho pra desenhar todos os dias. Hoje, estou cada vez mais envolvido com o desenho de rua, percebo que ainda há muito o que aprender ainda, porém deslumbrado pelo tanto que já aprendi com esses sketches de traços e pinceladas.


USk Curitiba: Largo da Ordem

USK Curitiba: Praça do Homem Nu

USk Curitiba: Saldanha Marinho

USK Curitiba: Orquestra Sinfônica do Estado do Paraná

Raro de Oliveira . Foto: Marlyn Towns